Capítulo 29
Produtos químicos orgânicos

Notas de Capítulo.

1. - Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem:

a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;

b) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27);

c) os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não;

d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima;

e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral;

f) os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte;

g) os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral;

h) os produtos seguintes, de concentração - tipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais.

2. - O presente Capítulo não compreende:

a) os produtos da posição 15.04, bem como o glicerol em bruto da posição 15.20;

b) o álcool etílico (posições 22.07 ou 22.08);

c) o metano e o propano (posição 27.11);

d) os compostos de carbono indicados na Nota 2 do Capítulo 28;

e) a uréia (posição 31.02 ou 31.05);

f) as matérias corantes de origem vegetal ou animal (posição 32.03), as matérias corantes orgânicas sintéticas, os produtos orgânicos sintéticos dos tipos utilizados como agentes de avivamento fluorescentes ou como luminóforos (posição 32.04), bem como as tinturas (tintas para tingir*) e outras matérias corantes apresentadas em formas próprias ou embalagens para venda a retalho (posição 32.12);

g) as enzimas (posição 35.07);

h) o metaldeído, a hexametilenotetramina e os produtos semelhantes, apresentados em pastilhas, tabletes, bastonetes ou formas semelhantes que se destinem a ser utilizados como combustíveis, bem como os combustíveis líquidos e combustíveis gasosos liquefeitos, em recipientes dos tipos utilizados para carregar ou recarregar isqueiros ou acendedores, com uma capacidade não superior a 300cm3 (posição 36.06);

ij) os produtos extintores, apresentados como cargas para aparelhos extintores ou em granadas ou bombas extintoras, da posição 38.13; os produtos para apagar tintas de escrever, acondicionados em embalagens para venda a retalho, incluídos na posição 38.24;

k) os elementos de óptica, tais como os de tartarato de etilenodiamina (posição 90.01).

3. - Qualquer produto suscetível de ser incluído em duas ou mais posições do presente Capítulo deve classificar-se na posição situada em último lugar na ordem numérica.

4. - Nas posições 29.04 a 29.06, 29.08 a 29.11, e 29.13 a 29.20, qualquer referência aos derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados aplica-se também aos derivados mistos, tais como os sulfoalogenados, nitroalogenados, nitrossulfonados ou nitrossulfoalogenados.

Os grupos nitrados ou nitrosados não devem considerar-se como funções nitrogenadas na acepção da posição 29.29.

Para a aplicação das posições 29.11, 29.12, 29.14, 29.18 e 29.22, consideram-se funções oxigenadas apenas as funções (os grupos orgânicos característicos contendo oxigênio) mencionadas nos textos das posições 29.05 a 29.20.

5. - a) Os ésteres resultantes da combinação de compostos orgânicos de função ácido dos Subcapítulos I a VII com compostos orgânicos dos mesmos Subcapítulos classificam-se na mesma posição do composto situado em último lugar, na ordem numérica, nesses Subcapítulos.

b) Os ésteres formados pela combinação do álcool etílico com os compostos orgânicos de função ácido incluídos nos Subcapítulos I a VII devem classificar-se na mesma posição que os compostos de função ácido correspondentes.

c) Ressalvadas as disposições da Nota 1 da Seção VI e da Nota 2 do Capítulo 28:

1) os sais inorgânicos dos compostos orgânicos, tais como os compostos de função ácido, de função fenol ou de função enol, ou as bases orgânicas, dos Subcapítulos I a X ou da posição 29.42, classificam-se na posição em que se inclui o composto orgânico correspondente;

2) os sais formados pela reação entre compostos orgânicos dos Subcapítulos I a X ou da posição 29.42 classificam-se na posição em que se inclui a base ou o ácido (incluídos os compostos de função fenol ou de função enol) a partir do qual são formados e que esteja situada em último lugar, na ordem numérica, no Capítulo.

d) Os alcoolatos metálicos devem classificar-se na mesma posição que os álcoois correspondentes, salvo no caso do etanol (posição 29.05).

e) Os halogenetos dos ácidos carboxílicos classificam-se na mesma posição dos ácidos correspondentes.

6. - Os compostos das posições 29.30 e 29.31 são compostos orgânicos cuja molécula contém, além de átomos de hidrogênio, de oxigênio ou de nitrogênio, átomos de outros elementos não - metálicos ou de metais, tais como enxofre, arsênio, mercúrio, chumbo, diretamente ligados ao carbono.

As posições 29.30 (tiocompostos orgânicos) e 29.31 (outros compostos organo - inorgânicos) não compreendem os derivados sulfonados ou halogenados (incluídos os derivados mistos) que, exceção feita ao hidrogênio, ao oxigênio e ao nitrogênio, apenas possuam, em ligação direta com o carbono, os átomos de enxofre ou de halogênio que lhes conferem as características de derivados sulfonados ou halogenados (ou de derivados mistos).

7. - As posições 29.32, 29.33 e 29.34 não compreendem os epóxidos com três átomos no ciclo, os peróxidos de cetonas, os polímeros cíclicos dos aldeídos ou dos tioaldeídos, os anidridos de ácidos carboxílicos polibásicos, os ésteres cíclicos de poliálcoois ou de polifenóis com ácidos polibásicos e as imidas de ácidos polibásicos.

As disposições precedentes só se aplicam quando a estrutura heterocíclica resulte exclusivamente das funções ciclizantes acima enumeradas.

8. - Para os fins da posição 29.37:

a) o termo hormônios compreende os fatores liberadores ou estimuladores de hormônios, os inibidores de hormônios e os antagonistas de hormônios (anti - hormônios);

b) a expressão utilizados principalmente como hormônios aplica-se não apenas aos derivados de hormônios e aos análogos estruturais de hormônios utilizados principalmente por sua ação hormonal, mas também aos derivados e análogos estruturais de hormônios utilizados principalmente como intermediários na síntese de produtos desta posição.

Nota de Subposições.

1. - No âmbito de uma posição do presente Capítulo, os derivados de um composto químico (ou de um grupo de compostos químicos) devem classificar-se na mesma subposição que esse composto (ou esse grupo de compostos), desde que não se incluam mais especificamente numa outra subposição e que não exista subposição residual denominada Outros na série de subposições que lhes digam respeito.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo.

A) Compostos de constituíção química definida
(Nota 1 do Capítulo)

Um composto de constituíção química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.

Os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente contendo substâncias que foram acrescentadas deliberadamente durante ou após a sua fabricação (incluída a purificação) estão excluídos do presente Capítulo. Por conseqüência, um produto constituído, por exemplo, por sacarina misturada com lactose, a fim de que possa ser utilizado como edulcorante, está excluído do presente Capítulo (ver Nota Explicativa da posição 29.25).

Estes compostos podem conter impurezas (Nota 1 a)). O texto da posição 29.40 cria uma exceção a esta regra porque, relativamente aos açúcares, restringe o âmbito da posição aos açúcares quimicamente puros.

O termo “impurezas” aplica-se exclusivamente às substâncias cuja presença no composto químico distinto resulta, exclusiva e diretamente, do processo de fabricação (incluída a purificação). Essas substâncias podem provir de qualquer dos elementos que intervêm no curso da fabricação, e que são essencialmente os seguintes:

a) matérias iniciais não convertidas,

b) impurezas contidas nas matérias iniciais,

c) reagentes utilizados no processo de fabricação (incluída a purificação),

d) subprodutos.

No entanto, convém referir que essas substâncias não são sempre consideradas “impurezas” autorizadas pela Nota 1 a). Quando essas substâncias são deliberadamente deixadas no produto para torná - lo particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral, não são consideradas impurezas admissíveis. Assim exclui-se o produto constituído por uma mistura de acetato de metila com o metanol, deliberadamente deixado para torná - lo apto a ser utilizado como solvente (posição 38.14). Relativamente a alguns produtos (por exemplo, etano, benzeno, fenol e piridina), há critérios específicos de pureza que são indicados nas Notas Explicativas das posições 29.01, 29.02, 29.07 e 29.33.

Os compostos de constituição química definida, apresentados isoladamente, classificados no presente Capítulo, podem apresentar-se em solução aquosa. Com as mesmas reservas que as indicadas nas Considerações Gerais do Capítulo 28, o presente Capítulo também compreende as soluções não aquosas e os compostos, ou respectivas soluções, adicionados de um estabilizante (por exemplo, butilcatecol terciário com estireno da posição 29.02), substâncias antipoeiras ou de corantes. As disposições relativas à adição de estabilizantes, substâncias antipoeiras ou de corantes, que constam das Considerações Gerais do Capítulo 28, aplicam-se, mutatis mutandis, aos compostos químicos incluídos no presente Capítulo. Além disso, aos produtos deste Capítulo podem, nas mesmas condições e com as mesmas reservas previstas quanto aos corantes, adicionar-se substâncias odoríferas (por exemplo, bromometano da posição 29.03 adicionado de pequena quantidade de cloropicrina).

Também se incluem no Capítulo 29, mesmo que contenham impurezas, as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico. Só se consideram como tais as misturas de compostos que apresentem a mesma ou as mesmas funções químicas, desde que esses isômeros coexistam naturalmente ou que tenham sido formados simultaneamente no decurso de uma mesma operação de síntese. Contudo, as misturas de isômeros (com exclusão dos estereoisômeros) de hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não, classificam-se no Capítulo 27.

B) Distinção entre os compostos dos Capítulos 28 e 29

Ver parte B) das Considerações Gerais do Capítulo 28.

Com exclusão dos produtos mencionados na Nota 2 do Capítulo 28, os produtos que participem simultaneamente da química inorgânica e da química orgânica classificam-se no Capítulo 29.

C) Produtos incluídos no Capítulo 29, mesmo que não sejam compostos de constituíção química definida

Indicam-se, entre outros, os produtos incluídos nas seguintes posições:

Posição 29.09 - Peróxidos de cetonas.

Posição 29.12 - Polímeros cíclicos dos aldeídos; paraformaldeído.

Posição 29.19 - Lactofosfatos.

Posição 29.23 - Lecitinas e outros fosfoaminolipídeos.

Posição 29.34 - Ácidos nucléicos e seus sais.

Posição 29.36 - Provitaminas e vitaminas, incluídos os seus concentrados (mesmo misturados entre si ou em quaisquer soluções).

Posição 29.37 - Hormônios.

Posição 29.38 - Heterosídeos e seus derivados.

Posição 29.39 - Alcalóides vegetais e seus derivados.

Posição 29.40 - Éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais.

Posição 29.41 - Antibióticos.

Este Capítulo também compreende os sais de diazônio de concentração - tipo (ver a Nota Explicativa da posição 29.27, parte A), os copulantes utilizados para estes sais e as aminas diazotáveis e seus sais, de concentração - tipo, por exemplo, com sais neutros. Estes produtos destinam-se à produção de corantes azóicos. Apresentam-se nos estados sólido ou líquido.

D) Exclusão do Capítulo 29 de alguns compostos orgânicos não misturados
(Nota 2 do Capítulo)

1) Excluem-se do Capítulo 29 alguns compostos orgânicos de constituição química definida. Além dos incluídos no Capítulo 28 (ver Considerações Gerais do referido Capítulo, parte B), podem citar-se os seguintes:

a) Sacarose (posição 17.01), lactose, maltose, glicose e frutose (posição 17.02).

b) Álcool etílico (posições 22.07 ou 22.08).

c) Metano e propano (posição 27.11).

d) Uréia (posições 31.02 ou 31.05).

e) Matérias corantes de origem animal ou vegetal, por exemplo, a clorofila (posição 32.03).

f) Matérias corantes orgânicas sintéticas (incluídos os pigmentos) não misturadas e produtos orgânicos sintéticos dos tipos utilizados como agentes de avivamento fluorescentes (por exemplo, alguns derivados do estilbeno) (posição 32.04).

2) Alguns produtos orgânicos não misturados, embora normalmente incluídos no Capítulo 29, podem dele excluir-se quando se apresentem com formas ou acondicionamentos particulares ou ainda quando tenham sido submetidos a tratamentos que não modifiquem a sua constituição química. Citam-se os seguintes casos:

a) Produtos preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição 30.04).

b) Produtos dos tipos utilizados como luminóforos, obtidos por tratamento destinado a torná - los luminescentes (por exemplo salicilaldazina) (posição 32.04).

c) Tinturas e outras matérias corantes, apresentadas em formas próprias ou em embalagens para venda a retalho (posição 32.12).

d) Produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas, acondicionados para venda a retalho, próprias para esses usos (por exemplo, acetona) (posições 33.03 a 33.07).

e) Produtos utilizados como colas ou adesivos acondicionados para venda a retalho como colas ou adesivos, com peso líquido não superior a 1 kg (posição 35.06).

f) Combustíveis sólidos (por exemplo, metaldeído, hexametilentetramina), em formas próprias para uso como tais; combustíveis líquidos e combustíveis gasosos liquefeitos (por exemplo, butano liquefeito) apresentados em recipientes dos tipos utilizados para carregar ou recarregar isqueiros ou acendedores, com capacidade não superior a 300 cm3 (posição 36.06).

g) Hidroquinona e outros produtos químicos não misturados, para usos fotográficos, quer doseados, quer acondicionados para venda a retalho para esses mesmos usos e prontos para utilização (posição 37.07).

h) Desinfetantes, inseticidas, etc., apresentados nas formas descritas no texto da posição 38.08.

ij) Produtos extintores (por exemplo, tetracloreto de carbono), acondicionados em cargas para aparelhos extintores ou em granadas ou bombas (posição 38.13).

k) Produtos para apagar tintas de escrever (por exemplo, solução aquosa de cloramina da posição 29.35) acondicionados para venda a retalho (posição 38.24).

l) Elementos de óptica, tais como os de tartarato de etilenodiamina (posição 90.01).

E) Produtos suscetíveis de serem incluídos em duas ou mais posições do Capítulo 29
(Nota 3 do Capítulo)

Estes produtos devem ser classificados na posição situada em último lugar na ordem numérica. Assim, o ácido ascórbico, que é simultaneamente uma lactona (posição 29.32) e uma vitamina (posição 29.36), classifica-se na posição 29.36. Pelo mesmo motivo, o alilestrenol, que é um álcool cíclico (posição 29.06), mas também um esteróide com a estrutura do gonano não modificada, que se utiliza principalmente em virtude da sua função hormonal (posição 29.37), deve classificar-se na posição 29.37.

Todavia, os produtos das posições 29.37, 29.38 e 29.39 excluem-se explicitamente da posição 29.40, de acordo com o texto desta posição.

F) Derivados halogenados, sulfonados, nitrados, nitrosados ou mistos
(Nota 4 do Capítulo)

Algumas posições do Capítulo 29 referem-se a derivados halogenados, sulfonados, nitrados e nitrosados de compostos orgânicos. Deve considerar-se que esta referência é igualmente aplicável aos derivados mistos, isto é, aos derivados sulfoalogenados, nitroalogenados, nitrossulfonados, nitrossulfoalogenados, etc.

Os grupos nitrados ou nitrosados não se consideram “funções nitrogenadas (azotadas)” na acepção da posição 29.29.

Os derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados são formados substituindo-se um ou mais átomos de hidrogênios do composto parente por um ou mais halogênios, grupos sulfônicos (-SO3H), nitrados (-NO2) ou nitrosados (-NO) ou por combinação desses halogênios ou grupos. Qualquer grupo funcional (aldeido, ácido carboxílico, amina, por exemplo) tomado em consideração para a classificação, deve permanecer intacto nesses derivados.

G) Classificação dos ésteres, sais e alguns halogenetos
(Nota 5 do Capítulo)

1) Ésteres.

Os ésteres de compostos orgânicos de função ácido dos Subcapítulos I a VII, com compostos orgânicos dos mesmos Subcapítulos, classificam-se com os compostos incluídos na posição destes Subcapítulos situada em último lugar na ordem numérica.

Exemplos:

a) . Acetato de dietilenoglicol (éster do ácido acético da posição 29.15 e do dietilenoglicol da posição 29.09) ...........................................................................

 

posição 29.15

b) . Benzenossulfonato de metila (éster do ácido benzenossulfônico da posição 29.04 e do álcool metílico da posição 29.05) ......................................................................

 

posição 29.05

c) . Ortoftalato ácido de butila (éster de um ácido policarboxílico, onde o hidrogênio de um único grupo COOH foi substituído) .................................................................

 

posição 29.17

d) . Ftalilbutilglicolato de butila (éster do ácido ftálico da posição 29.17 e do ácido glicólico da posição 29.18 com o álcool butílico da posição 29.05) ...........................

 

posição 29.18

Esta regra não se aplica ao caso dos ésteres destes compostos de função ácido com o álcool etílico, porque este não se inclui no Capítulo 29. Estes ésteres classificam-se na posição que engloba os compostos de função ácido do que derivam.

Exemplo:

Acetato de etila (éster do ácido acético da posição 29.15 e do álcool etílico) ................

posição 29.15

Por outro lado, saliente-se que os ésteres de açúcares e respectivos sais incluem-se na posição 29.40.

2) Sais.

Ressalvadas as disposições da Nota 1 da Seção VI e da Nota 2 do Capítulo 28:

a) Os sais inorgânicos de compostos orgânicos tais como os compostos de função ácido, fenol ou enol, ou as bases orgânicas, dos Subcapítulos I a X ou da posição 29.42, classificam-se nas posições onde se inclua o composto orgânico correspondente.

Estes sais podem ser formados pela reação de:

1º) compostos orgânicos de função ácido, fenol ou enol com bases inorgânicas.

Exemplo:

Metaidroxibenzoato de sódio (sal do ácido metaidroxibenzóico da posição 29.18 e de hidróxido de sódio) ...................................................................................

  posição 29.18

Os sais desta natureza podem também formar-se pela reação entre ésteres ácidos do tipo acima referido e bases inorgânicas.

Exemplo:

Ortoftalato de butila e de cobre (sal de ortoftalato ácido de butila da posição 29.17 e de hidróxido de cobre) .........................................................................

  posição 29.17

ou 2º) bases orgânicas com ácidos inorgânicos.

Exemplo:

Cloridrato de dietilamina (sal formado pela reação entre a dietilamina da posição 29.21 e o ácido clorídrico da posição 28.06) ......................................................

  posição 29.21

 

b) Os sais formados pela reação entre compostos orgânicos dos Subcapítulos I a X ou da posição 29.42 classificam-se na posição onde se inclua a base ou o ácido (incluídos os compostos de função fenol ou de função enol), a partir dos quais foram formados, situada em último lugar na ordem numérica do Capítulo.

Exemplos:

1º) Acetato de anilina (sal do ácido acético da posição 29.15 e da anilina da posição 29.21) .............................................................................................................

  posição 29.21

2º) Fenoxiacetato de metilamina (sal da metilamina da posição 29.21 e do ácido fenoxiacético da posição 29.18) ........................................................................

  posição 29.21

3) Halogenetos dos ácidos carboxílicos.

Classificam-se com os ácidos carboxílicos correspondentes. Assim, o cloreto de isobutirila, correspondendo ao ácido isobutírico da posição 29.15, classifica-se nessa posição.

H) Classificação dos derivados

A classificação dos derivados dos compostos químicos ao nível das posições é determinada por aplicação dos dispositivos das Regras Gerais Interpretativas. A Nota 3 do presente Capítulo aplica-se quando um derivado pode ser classificado em duas ou mais posições.

Em qualquer posição do presente Capítulo, os derivados classificam-se por aplicação da Nota 1 de Subposições.

IJ) Sistemas de ciclos condensados

Um sistema condensado é um sistema que comporta pelo menos dois ciclos que só têm uma ligação comum e apenas uma e que possuem dois, e unicamente dois, átomos em comum.

Os sistemas de ciclos condensados são apresentados na molécula dos compostos policíclicos (por exemplo, hidrocarbonetos policíclicos, compostos heterocíclicos) nos quais dois ciclos estão ligados por um lado comum comportando dois átomos adjacentes. As representações esquemáticas abaixo mostram alguns exemplos:

Naftaleno Quinoleina Quinoleina condensada

Nos sistemas de ciclos complexos, a condensação pode se fazer sobre vários lados de um ciclo (núcleo) determinado. Os compostos policíclicos nos quais dois ciclos possuem dois, e unicamente dois, átomos em comum são denominados “ortocondensados”. Por outro lado, os compostos policíclicos nos quais um ciclo possui dois, e unicamente dois, átomos em comum com cada um dos ciclos de uma série de pelo menos dois ciclos contiguos são denominados “orto - e pericondensados.” Estes dois tipos diferentes de sistemas de ciclos condensados são ilustrados por esquemas nos seguintes exemplos:

3 lados comuns 7 lados comuns 5 lados comuns

6 átomos em comun 8 átomos em comum 6 átomos em comum

Ciclo “ortocondensado” Ciclos “orto - e pericondensados”

Por outro lado, o exemplo seguinte refere-se à quinoleína em ponte (não condensada): Quinoleína em ponte

SUBCAPÍTULO I
HIDROCARBONETOS E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS

Os hidrocarbonetos acíclicos são compostos contendo exclusivamente carbono e hidrogênio e não possuem anéis na sua estrutura. Podem classificar-se nas duas categorias seguintes:

A) Hidrocarbonetos acíclicos saturados.

B) Hidrocarbonetos acíclicos não saturados.

A. - HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS SATURADOS

Constituem uma série homóloga que tem a fórmula geral (CnH2n+2). São muito abundantes na natureza e formam os principais componentes do petróleo.

O hidrocarboneto fundamental é o metano (CH4) com um átomo de carbono. Tanto o metano, como o propano (C3H8) com três átomos de carbono, mesmo puros, incluem-se, no entanto, na posição 27.11.

Entre os hidrocarbonetos acíclicos saturados desta posição, citam-se:

1) O etano (C2H6) com dois átomos de carbono.

Para ser incluído nesta posição, o etano deve ter um grau de pureza mínimo de 95%, em volume. O etano de grau de pureza inferior está excluído (posição 27.11).

2) Os butanos (C4H10) com quatro átomos de carbono.

3) Os pentanos com cinco átomos de carbono.

4) Os hexanos com seis átomos de carbono.

5) Os heptanos com sete átomos de carbono.

6) Os octanos com oito átomos de carbono.

7) Os nonanos com nove átomos de carbono.

8) Os decanos com dez átomos de carbono.

9) Os pentadecanos com quinze átomos de carbono.

10) Os triacontanos com trinta átomos de carbono.

11) Os hexacontanos com sessenta átomos de carbono.

Estes hidrocarbonetos saturados são insolúveis em água. Eles podem ser gasosos, líquidos ou sólidos, à temperatura e pressão comuns. É por isso que os que têm até quatro átomos de carbono são gasosos; os que têm de cinco a quinze átomos de carbono são líquidos; os homólogos superiores são geralmente sólidos.

Podem ter também um ou mais átomos de hidrogênio nas suas moléculas substituídos por radicais alquílicos (especialmente o metila, etila, propila, etc.); é por isso que ao butano normal corresponde o isobutano (trimetilmetano ou metilpropano), que possui a mesma fórmula bruta.

Entre os hidrocarbonetos acíclicos saturados compreendidos nesta posição, os mais importantes, do ponto de vista industrial e comercial, são o etano e o butano, obtidos do petróleo e do gás natural.

Para se incluírem nesta posição, devem apresentar-se isolados e de constituição química definida, quer tenham sido obtidos por tratamento e purificação do petróleo e gás natural, quer por síntese (quanto ao critério de pureza do etano, ver o nº 1 acima). Inversamente, excluem-se desta posição o butano bruto, o gás do petróleo bruto, e os hidrocarbonetos gasosos semelhantes também em bruto, da posição 27.11.

B. - HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS NÃO SATURADOS

Em relação aos hidrocarbonetos acíclicos saturados com o mesmo número de átomos de carbono, estes hidrocarbonetos não saturados têm menos 2, 4, 6, etc., átomos de hidrogênio. Esta particularidade determina a formação de duplas ou triplas ligações.

1) Os hidrocarbonetos monoetilênicos.

Constituem uma série homóloga, que tem por fórmula geral (CnH2n); encontram-se nos produtos de decomposição a quente de numerosas substâncias orgânicas (gás de hulha, produtos do craqueamento (cracking) do petróleo, etc.); também se obtêm por síntese.

a) Os primeiros membros da série são gasosos. São:

1º) O etileno (eteno) (C2H4), gás incolor, com leve cheiro a éter, e forte ação anestésica, emprega-se para obtenção de numerosos produtos orgânicos, tais como óxido de etileno, glicóis, etilbenzeno, álcool etílico sintético, polietileno.

Para ser incluído na presente posição, o etileno deve ter um grau de pureza mínimo de 95%, em volume. O etileno de grau de pureza inferior está excluído (posição 27.11).

2º) O propeno (propileno) (C3H6), gás incolor extremamente inflamável e asfixiante.

Para ser incluído na presente posição, o propeno (propileno) deve ter um grau de pureza mínimo de 90%, em volume. O propileno de grau de pureza inferior está excluído (posição 27.11).

3º) Os butenos (butilenos) (C4H8).

Para serem incluídos nesta posição, estes hidrocarbonetos gasosos devem ter constituição química definida e apresentarem-se isoladamente. Excluem-se, portanto, os hidrocarbonetos gasosos em bruto da posição 27.11.

Estes produtos, geralmente, apresentam-se liquefeitos, em recipientes sob pressão.

b) Os hidrocarbonetos monoetilênicos com cinco a quinze átomos de carbono são líquidos. Os mais importantes são:

1º) Os pentenos (amilenos).

2º) Os hexenos.

3º) Os heptenos.

4º) Os octenos.

c) Os membros com mais de quinze átomos de carbono são sólidos.

2) Os hidrocarbonetos polietilênicos.

Constituem uma série que contém duas ou mais ligações duplas.

Entre eles indicam-se:

a) O propadieno (aleno) (C3H4).

b) O buta - 1,2 - dieno (1,2 butadieno metil aleno) (C4H6).

c) O buta - 1,3 - dieno (1,3 - butadieno) (C4H6), gás incolor extremamente inflamável.

d) O 2 - metilbuta - 1,3 - dieno (isopreno) (C5H8), líquido extremamente inflamável e incolor.

3) Os hidrocarbonetos acetilênicos.

Os hidrocarbonetos acetilênicos desta série, em lugar de conter duplas ligações, contêm quer uma ligação tripla (carbonetos monoacetilênicos da fórmula geral CnH2n - 2) quer várias ligações triplas (carbonetos poliacetilênicos).

O produto mais importante é o acetileno (C2H2), gás incolor e de cheiro característico. A partir do acetileno obtêm-se, por síntese, produtos infinitamente variados, entre os quais se podem citar: o ácido acético, a acetona, o isopreno, o ácido cloroacético, o álcool etílico, etc.

O acetileno apresenta-se, em solução na acetona, sob pressão, em cilindros especiais de aço guarnecidos de diatomita; este modo de acondicionamento não influi na sua classificação (Nota 1 e) do capítulo 29).

Outros membros da série são:

a) O propino (alileno ou metilacetileno)

b) O butino (etilacetileno).

4) Os hidrocarbonetos etilênicos - acetilênicos.

Compreendem nas suas moléculas ligações etilênicas e acetilênicas. Os mais importantes são: o vinilacetileno, formado por um radical acetilênico em que um átomo do hidrogênio foi substituído por um radical vinila, e o metilvinilacetileno, em que dois átomos de hidrogênio do acetileno foram substituídos, o primeiro por um radical vinila e o outro por um radical metila.

Os hidrocarbonetos cíclicos são compostos que contêm exclusivamente carbono e hidrogênio e que possuem, pelo menos, um anel na sua estrutura. Podem classificar-se nas grandes categorias seguintes:

A) Hidrocarbonetos ciclânicos e ciclênicos.

B) Hidrocarbonetos cicloterpênicos.

C) Hidrocarbonetos aromáticos.

A. - HIDROCARBONETOS CICLÂNICOS E CICLÊNICOS

São hidrocarbonetos cíclicos que correspondem à fórmula geral CnH2n, quando se trate de hidrocarbonetos ciclânicos monocíclicos saturados, e à fórmula geral CnH2n - x (em que x pode ser igual a 2, 4, 6, etc.), quando se trate de hidrocarbonetos ciclânicos policíclicos ou quando não saturados (hidrocarbonetos ciclênicos).

1) Hidrocarbonetos ciclânicos monocíclicos. Entre estes citam-se os hidrocarbonetos polimetilênicos e os hidrocarbonetos naftênicos, que se encontram em determinados petróleos e, especialmente:

a) O ciclopropano (C3H6): gasoso.

b) O ciclobutano (C4H8): gasoso.

c) O ciclopentano (C5H10): líquido.

d) O ciclohexano (C6H12): líquido.

2) Hidrocarbonetos ciclânicos policíclicos. Entre estes podem citar-se:

a) O decaidronaftaleno (C10H18), líquido incolor, que se emprega como solvente de tintas e lacas, para encáusticos, etc.

b) Os compostos de ciclo em ponte, tais como o 1,4,4a,5,6,7,8,8a - octaidro - exo - 1, 4 - endo - 5,8 - dimetanonaftaleno (C12H16) de que deriva o pesticida HEOD.

c) Os compostos de estrutura designada “em gaiola” tais como o pentaciclo [5.2.1.02,6.03,9.05,8] decano (C10H12) de que deriva a fórmula do dodecacloro - pentaciclo [5.2.1.02,6. 03,9.05,8] decano.

3) Hidrocarbonetos ciclênicos. Citam-se entre estes:

a) O ciclobuteno (C4H6): gasoso.

b) O ciclopenteno (C5H8): líquido.

c) O cicloexeno (C6H10): líquido.

d) O ciclooctatetraeno (C8H8): líquido.

e) O azuleno (C10H8): sólido.

Os carotenos sintéticos classificam-se na posição 32.04.

B. - HIDROCARBONETOS CICLOTERPÊNICOS

Estes hidrocarbonetos não diferem, quanto à estrutura química geral, dos hidrocarbonetos ciclênicos, encontrando-se, no estado natural, nos organismos vegetais, como líquidos odoríferos e voláteis. Sua formula geral é (C5H8)n, não podendo “n” ser inferior a dois. Citam-se entre os mais importantes:

1) O pineno, que se encontra nas essências de terebintina, pinheiro, canela, etc.; é um líquido incolor.

2) O canfeno, que se encontra no óleo essencial da noz - moscada, do petit - grain, etc.

3) O limoneno, que se encontra na essência dos cítricos; o dipenteno (mistura de isômeros ópticos do limoneno). Esta posição, todavia, não compreende o dipenteno em bruto (posição 38.05).

Os óleos essenciais incluem-se na posição 33.01; a essência de terebintina, a essência da madeira de pinho ou de pinheiro ou a essência proveniente da fabricação da pasta de papel ao sulfato e as outras essências terpênicas provenientes da destilação ou de outros tratamentos das madeiras de coníferas classificam-se na posição 38.05.

C. - HIDROCARBONETOS AROMÁTICOS

Estes compostos contêm um ou vários núcleos (anéis) benzênicos, condensados ou não, sendo o benzeno um hidrocarboneto formado por seis átomos de carbono e seis átomos de hidrogênio, estruturado em seis grupos (CH), de modo a constituir um núcleo (anel) hexagonal.

I) Hidrocarbonetos com um único núcleo (anel) benzênico. Entre estes estão compreendidos o benzeno e seus homólogos.

a) O benzeno (C6H6), encontra-se no gás de hulha, em alguns petróleos e nos produtos líquidos da destilação seca de numerosos compostos orgânicos ricos em carbono (hulha, linhita, etc.). Também se obtém sinteticamente. Puro, é um líquido incolor, móvel, refringente, volátil, inflamável e de cheiro aromático. Dissolve com facilidade resinas, gorduras, óleos essenciais, borracha, etc. A partir do benzeno podem-se obter numerosos produtos de síntese.

Para ser incluído na presente posição, o benzeno deve ter um grau de pureza minímo de 95%, em peso. O benzeno de grau de pureza inferior está excluído (posição 27.07).

b) O tolueno (metilbenzeno) (C6H5CH3), obtém-se pela substituição de um átomo de hidrogênio do benzeno por radical metila. Prepara-se por destilação do óleo leve do alcatrão da hulha ou por ciclização de hidrocarbonetos acíclicos. É um líquido incolor, móvel, refrigente, inflamável e de cheiro aromático semelhante ao do benzeno.

Para ser incluído na presente posição, o tolueno deve ter um grau de pureza minímo de 95%, em peso. O tolueno de grau de pureza inferior está excluído (posição 27.07).

c) O xileno (dimetilbenzeno) (C6H4(CH3)2) deriva do benzeno por substituição de dois átomos de hidrogênio por dois radicais metila. Há três isômeros: o o - xileno, o m - xileno e o p - xileno. É um líquido transparente, inflamável, existente no óleo leve de alcatrão de hulha.

Para se incluir na presente posição, o xileno deve conter, pelo menos, 95% em peso, de isômeros do xileno (sendo todos os isômeros considerados em conjunto). Exclui-se o xileno de menor pureza (posição 27.07).

d) Outros hidrocarbonetos aromáticos são constituídos por um núcleo (anel) benzênico e uma ou mais cadeias laterais, abertas ou fechadas. Os mais importantes são:

1) O estireno (C6H5.CH=CH2). Um líquido incolor e oleoso, muito utilizado na preparação de plásticos (poliestirenos) ou de borracha sintética.

2) O etilbenzeno (C6H5.C2H5). Líquido incolor, inflamável, móvel, existente no alcatrão de hulha. Obtém-se, normalmente, a partir do benzeno e do etileno.

3) O cumeno (C6H5.CH(CH3)2). É um líquido incolor existente nos petróleos. Utiliza-se, principalmente, na fabricação do fenol, da acetona e do a - metilestireno e como solvente.

4) O p - cimeno (CH3.C6H4.CH(CH3)2). É muito comum em vários óleos essenciais; líquido incolor, de cheiro agradável.

Exclui-se o p - cimeno em bruto (posição 38.05).

5) O tetraleno ou tetraidronaftaleno (C10H12), obtido por hidrogenação catalítica do naftaleno; líquido incolor, de cheiro terpênico, utilizado como solvente, etc.

II) Hidrocarbonetos com dois ou mais núcleos (anéis) benzênicos, não condensados. Entre estes, os mais importantes são:

a) A bifenila (C6H5.C6H5). Apresenta-se em lamelas cristalinas brilhantes, brancas, de cheiro agradável. Emprega-se, especialmente, na fabricação de derivados clorados para plastificantes e como líquido refrigerante (isolado ou em mistura com o éter difenílico); nos reatores nucleares, utiliza-se como moderador.

b) O difenilmetano (C6H5.CH2.C6H5). Hidrocarboneto com dois núcleos (anéis) benzênicos ligados por um grupo metilênico (CH2). Cristaliza-se em agulhas incolores, com cheiro forte assemelhado ao do gerânio; emprega-se em sínteses orgânicas.

c) O trifenilmetano (CH(C6H5)3). É um metano no qual três átomos de hidrogênio foram substituídos por três núcleos (anéis) benzênicos.

d) As terfenilas, em que as misturas de isômeros são utilizadas como agentes refrigerantes ou como moderadores nos reatores nucleares.

III) Hidrocarbonetos com vários núcleos (anéis) benzênicos condensados.

a) O naftaleno (C10H8). Resulta da condensação de dois núcleos (anéis) benzênicos. No alcatrão da hulha, no petróleo, no gás de hulha, no alcatrão de linhita, etc. Cristaliza-se em lamelas finas, brancas, de cheiro característico. O naftaleno em bruto, carregado de impurezas, apresenta-se em lâminas de cor castanha.

Para se incluir nesta posição, o naftaleno deve ter um ponto de cristalização mínimo de 79,4°C. Exclui-se o naftaleno de menor pureza (posição 27.07).

b) O fenantreno (C14H10). Resulta da condensação de três núcleos (anéis) benzênicos. É um dos produtos da destilação do alcatrão de hulha. Apresenta-se em cristais de lamelas finas, incolores e fluorescentes.

Para se incluir na presente posição, o fenantreno deve ter constituição química definida e apresentar-se isoladamente puro ou comercialmente puro. O fenantremo em bruto classifica-se na posição 27.07.

c) O antraceno (C14H10). Resulta da condensação de três núcleos (anéis) benzênicos e encontra-se no alcatrão de hulha. Apresenta-se em lamelas cristalinas ou em pó de cor amarelada, e produz uma fluorescência azul - violácea.

Para ser incluído na presente posição, o antraceno deve ter um grau de pureza mínimo de 90%, em peso. O antraceno de grau de pureza inferior está excluído (posição 27.07).

Citam-se ainda, neste grupo, os seguintes hidrocarbonetos:

1) O acenafteno.

2) Os metilantracenos.

3) O fluoreno.

4) O fluoranteno.

5) O pireno.

Excluem-se da presente posição os dodecilbenzenos e os nonilnaftalenos, constituídos por misturas de alquilarilos (posição 38.17).

São compostos resultantes da substituição, na fórmula estrutural de um hidrocarboneto, de um ou mais átomos de hidrogênio, por um número igual de átomos de halogênio (flúor, cloro, bromo, iodo).

A. - DERIVADOS CLORADOS SATURADOS DOS HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS

1) Clorometano (cloreto de metila). Gás incolor, geralmente apresentado liquefeito, em cilindros de aço. Emprega-se como fluido frigorígeno, anestésico e em síntese orgânica.

2) Diclorometano (cloreto de metileno). Líquido tóxico, incolor e volátil, empregado em síntese orgânica.

3) Clorofórmio (triclorometano). Líquido incolor e volátil, de cheiro característico, empregado como anestésico, solvente e em síntese orgânica.

4) Tetracloreto de carbono. Líquido incolor, que dissolve o enxofre, óleos, gorduras, vernizes, petróleo, resinas, etc., empregado nos extintores.

5) Cloroetano (cloreto de etila). Gasoso, liquefeito em recipientes especiais; utiliza-se como anestésico.

6) 1,2 - Dicloroetano (cloreto de etileno). Líquido tóxico, incolor, empregado como solvente.

7) 1,2 - Dicloropropano (cloreto de propileno). É um líquido estável, incolor, com um odor semelhante ao do clorofórmio. Utiliza-se em síntese orgânica ou como solvente de gorduras, óleos, ceras e resinas.

8) Diclorobutanos.

Excluem-se desta posição:

a) As cloroparafinas, constituídas por misturas de derivados clorados: as cloroparafinas sólidas, que são ceras artificiais, incluem-se na posição 34.04, enquanto que as cloroparafinas líquidas se classificam na posição 38.24.

b) Os produtos extintores apresentados como cargas para aparelhos extintores ou contidos em granadas ou em bombas extintoras (posição 38.13).

B. - DERIVADOS CLORADOS NÃO SATURADOS DOS HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS

1) Cloreto de vinila (cloroetileno). Gás com um cheiro de clorofórmio; apresenta-se liquefeito, em recipientes de aço e serve para preparar o poli(cloreto de vinila) da posição 39.04.

2) Tricloroetileno. Líquido incolor, com cheiro de clorofórmio; solvente de vernizes, óleos, gorduras; emprega-se em síntese orgânica.

3) Tetracloroetileno (percloroetileno). Líquido incolor utilizado como solvente na limpeza a seco.

4) Cloreto de vinilideno.

C. - DERIVADOS FLUORADOS, BROMADOS E IODADOS DOS HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS

1) Bromometano (brometo de metila). Gasoso, apresenta-se liquefeito em recipientes especiais; é um gás ignífugo, que se utiliza como agente frigorígeno.

2) Bromoetano (brometo de etila). Líquido incolor, de cheiro semelhante ao do clorofórmio, que se utiliza em síntese orgânica.

3) Bromofórmio. Líquido incolor, com cheiro característico, que se utiliza como sedativo em medicina.

4) Brometo de alila.

5) Iodometano (iodeto de metila) e iodoetano (iodeto de etila). Líquidos que se empregam em síntese orgânica.

6) Diiodometano (iodeto de metileno).

7) Iodofórmio. Cristais ou pós amarelos, com cheiro característico, que se utiliza em medicina como anti - séptico.

8) Iodeto de alila (3 - iodopropeno).

Excluem-se desta posição os produtos extintores apresentados como cargas para aparelhos extintores ou contidos em granadas ou em bombas extintoras (posição 38.13).

D. - DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS CONTENDO PELO MENOS DOIS HALOGÊNIOS DIFERENTES

O comércio que tem por base o triclorofluormetano, o diclorodifluormetano, os triclorotrifluoretanos, os diclorotetrafluoretanos, o cloropentafluoretano, o bromoclorodifluormetano, o bromotrifluormetano e os dibromotetrafluoretanos é regulamentado pelo Protocolo de Montreal sobre substâncias que destroem a camada de ozônio.

Excluem-se desta posição os produtos extintores, apresentados como cargas para aparelhos extintores ou contidos em granadas ou em bombas extintoras (posição 38.13).

E. - DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS CICLÂNICOS, CICLÊNICOS OU CICLOTERPÊNICOS

1) 1,2,3,4,5,6 - Hexaclorocicloexano. Pó ou palhetas brancas ou amareladas. É um inseticida muito poderoso.

2) Derivados halogenados do ciclopropano ou do ciclobutano.

3) Octaclorotetraidro - 4,7 - endometilenoindano. Poderoso inseticida.

4) Derivados halogenados dos hidrocarbonetos de estrutura designada “em gaiola”, tais como o dodecacloropentaciclo [5.2.1.02,6.03,9.05,8] decano.

5) Derivados halogenados dos hidrocarbonetos cicloterpênicos, como o clorocanfeno, o cloreto de bornila.

F. - DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS AROMÁTICOS

1) Clorobenzeno. Líquido de cheiro levemente aromático, inflamável, solvente de vernizes, resinas e de betumes, e empregado em síntese orgânica.

2) o - Diclorobenzeno. Líquido incolor.

3) m - Diclorobenzeno. Líquido incolor.

4) p - Diclorobenzeno. Cristais brancos, utilizados principalmente como inseticida, purificador de ar ou como produto intermediário na preparação de matérias corantes.

5) Hexaclorobenzeno. Agulhas brancas, insolúveis em água.

6) 1,1,1 - Tricloro - 2,2 - bis(p - clorofenil) etano ou dicloro - difenil - tricloroetano (DDT). Cristais incolores ou pó branco ou ligeiramente cor - de - marfim. É um poderoso inseticida.

7) Cloreto de benzila. Líquido incolor, de cheiro agradável, fortemente lacrimogêneo e que se emprega em síntese orgânica.

8) Monocloronaftalenos, a (líquido móvel) ou b (cristais voláteis), com cheiro de naftaleno, empregados em síntese orgânica, como plastificantes, etc.

9) 1,4 - Dicloronaftaleno, apresenta-se em cristais incolores brilhantes, e octacloronaftaleno, em cristais brilhantes, levemente amarelados, empregados como inseticida.

Os policloronaftalenos líquidos, que não sejam misturas, estão aqui compreendidos; quando sólidos, são misturas e, tendo características de ceras artificiais, classificam-se na posição 34.04.

10) Bromoestireno.

Excluem-se desta posição os policlorodifenilos que são misturas de derivados clorados: no estado sólido, são ceras artificiais incluídas na posição 34.04; no estado líquido, incluem-se na posição 38.24.

A. - DERIVADOS SULFONADOS

São hidrocarbonetos em que um ou mais átomos de hidrogênio foram substituídos por um ou mais grupos (-SO3H); chamam-se, geralmente, ácidos sulfônicos. Também estão compreendidos aqui os sais e os ésteres etílicos dos ácidos sulfônicos (ver Nota 5 b) do presente Capítulo).

1) Derivados sulfonados dos hidrocarbonetos acíclicos.

a) Ácido etilenossulfônico (ácido vinilsulfônico).

b) Ácido etanossulfônico (ácido etilsulfônico).

2) Derivados sulfonados dos hidrocarbonetos cíclicos.

a) Ácido benzenossulfônico.

b) Ácido toluenossulfônicos (às vezes designados impropriamente ácidos benzilsulfônicos).

c) Ácidos xilenossulfônicos.

d) Ácidos benzenodissulfônicos.

e) Ácidos naftalenossulfônicos.

B. - DERIVADOS NITRADOS

São derivados dos hidrocarbonetos em que um ou mais átomos de hidrogênio foram substituídos por um ou mais grupos (-NO2).

1) Derivados nitrados dos hidrocarbonetos acíclicos.

a) Nitrometano.

b) Nitroetano.

c) Nitropropano.

d) Trinitrometano, etc.

2) Derivados nitrados dos hidrocarbonetos cíclicos.

a) Nitrobenzeno (essência de mirbana). Cristais amarelos brilhantes ou líquido amarelado oleoso, com cheiro de amêndoas amargas. Emprega-se em perfumaria, na fabricação de sabonetes, em sínteses orgânicas, como desnaturante, etc.

b) m - Dinitrobenzeno. Cristaliza em agulhas ou escamas incolores. Utilizado na preparação de explosivos.

c) Nitrotolueno (o - , m - , p - )

d) 2,4 - Dinitrotolueno. Apresenta-se em cristais e são utilizados na preparação de explosivos.

e) 2,4,6 - Trinitrotolueno. Poderoso explosivo.

Deve notar-se que as misturas destes produtos são explosivos preparados da posição 36.02.

f) 5 - tert - Butil - 2,4,6 - trinitrometaxileno (almíscar - xileno). Utilizado como perfume artificial.

g) Nitroxileno, 3 - tert - Butil - 2,6 - dinitro - p - cimeno (almíscarcimeno), nitronaftaleno, etc.

C. - DERIVADOS NITROSADOS

São derivados dos hidrocarbonetos em que um ou mais átomos de hidrogênio foram substituídos por um mesmo número de grupos (-NO).

1) Nitrosobenzeno.

2) o - , m - e p - Nitrosotolueno.

D. - DERIVADOS SULFOALOGENADOS

São derivados dos hidrocarbonetos contendo nas suas moléculas um ou mais grupos (-SO3H), ou seus sais, ou seus ésteres etílicos, e um ou mais halogênios, ou, ainda, um grupo sulfoalogenado.

1) Ácidos cloro - , bromo - , ou iodobenzenossulfônicos (o - , m - e p - ).

2) Ácidos cloro - , bromo - , ou iodobenzenodissulfônicos.

3) Ácidos cloronaftalenossulfônicos.

4) Cloreto de p - toluenossulfonila.

E. - DERIVADOS NITROALOGENADOS

São derivados dos hidrocarbonetos contendo nas suas moléculas um ou mais grupos (-NO2), e um ou mais halogênios.

1) Tricloronitrometano ou cloropicrina.

2) Iodotrinitrometano (iodopicrina).

3) Cloronitrometano.

4) Bromonitrometano.

5) Iodonitrometano.

6) Cloronitrobenzeno.

7) Cloronitrotolueno.

F. - DERIVADOS NITROSSULFONADOS

São derivados dos hidrocarbonetos que contêm, nas suas moléculas, um ou mais grupos (-NO2), e um ou mais grupos (-SO3H), ou seus sais ou seus ésteres etílicos.

1) Ácidos mono - , di - e trinitrobenzenossulfônicos.

2) Ácidos mono - , di - e trinitrotoluenossulfônicos.

3) Ácidos nitronaftalenossulfônicos.

4) Ácidos dinitroestilbenodissulfônicos.

G. - DERIVADOS E OUTROS COMPOSTOS NITROSSULFOALOGENADOS

São derivados compostos de um tipo não compreendido nos grupos anteriores, que contêm, nas suas moléculas, um ou mais grupos (-NO2), (-SO3H) ou os sais ou ésteres etílicos destes grupos, e um ou mais halogênios. Citam-se, como exemplo específico, os derivados sulfonados dos nitriclorobenzenos ou dos nitroclorotoluenos.

SUBCAPÍTULO II
ÁLCOOIS E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS

Os álcoois acíclicos são compostos orgânicos derivados dos hidrocarbonetos acíclicos, por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio pelo grupo hidroxila. São compostos oxigenados, que reagem com os ácidos, dando outros compostos denominados ésteres.

Estes álcoois podem ser primários, se apresentarem o grupo característico monovalente (-CH2.OH), secundários, se apresentarem o grupo característico bivalente (CH.OH), terciários, se apresentarem o grupo característico trivalente (C.OH).

Também se incluem aqui os derivados halogenados, sulfonados, nitrados, nitrosados, sulfoalogenados, nitroalogenados, nitrossulfonados, nitrossulfoalogenados ou outros compostos dos álcoois acíclicos, como é o caso da monocloridrina do glicerol e da monocloridina de etilenoglicol. Consideram-se como derivados sulfonados de álcoois os compostos bissulfíticos dos aldeídos e das cetonas, tais como o bissulfito de sódio - acetaldeído, o bissulfito de sódio - formaldeído, o bissulfito de sódio - valeraldeído e o bissulfito de sódio - acetona. Esta posição também compreende os alcoolatos metálicos de álcoois aqui compreendidos, bem como o do etanol.

O álcool etílico (etanol), mesmo puro, está excluído desta posição, e classifica-se nas posições 22.07 ou 22.08, consoante os casos (ver as Notas Explicativas correspondentes).

A. - MONOÁLCOOIS SATURADOS

1) Metanol (álcool metílico). Obtém-se por destilação a seco da madeira e por síntese. O álcool metílico puro é um líquido móvel, incolor, inflamável, de cheiro característico. Emprega-se em síntese orgânica, como solvente, etc., na indústria dos corantes, explosivos, produtos farmacêuticos, etc. O metileno, que é o álcool metílico em bruto, proveniente da destilação a seco da madeira, está, todavia, incluído na posição 38.07.

2) Propan - 1 - ol (álcool propílico) e propan - 2 - ol (alcool isopropílico). Líquidos incolores. O álcool isopropílico obtém-se, em particular, a partir do propileno e emprega-se, especialmente, na fabricação da acetona, dos metacrilatos e como solvente.

3) Butan - 1 - ol (álcool n - butílico) e outros butanóis (4 isômeros). Líquidos incolores utilizados em síntese orgânica e como solventes.

4) Pentanol (álcool amílico) e seus isômeros. Estes álcoois apresentam 8 isômeros. O álcool amílico de fermentação, que está aqui incluído, obtém-se, principalmente, a partir do óleo de flegma ou de fusel (posição 38.24), proveniente da retificação do álcool etílico (óleo de flegma de cereais, de melaços, de batatas, etc.). Os álcoois amílicos podem também ser obtidos a partir dos gases do craqueamento (cracking) do petróleo ou por síntese, a partir de hidrocarbonetos.

5) Hexanóis e heptanóis (álcoois hexílico e heptílico).

6) Octanol (álcool octílico) e seus isômeros.

7) Dodecan - 1 - ol (álcool laurílico), hexadecan - 1 - ol (álcool cetílico) e octadecan - 1 - ol (álcool esteárico).

Esta posição não abrange os álcoois graxos (gordos*) industriais de pureza inferior a 90% (calculada em referência ao peso do produto no estado seco) (posição 38.23).

B. - MONOÁLCOOIS NÃO SATURADOS

1) Álcool alílico.

2) Álcool etilpropilalílico (2 - etil - 2 - hexen - 1 - ol).

3) Álcool oléico.

4) Álcoois terpênicos acíclicos, o fitol, por exemplo. Os álcoois terpênicos têm tendência para se transformarem em derivados hidroaromáticos; encontram-se em algumas essências voláteis. Entre eles citam-se, por exemplo, o geraniol, o linalol, o citronelol, o rodinol, o nerol, utilizados em perfumaria.

C. - DIÓIS E OUTROS POLIÁLCOOIS

I. Dióis

1) Etilenoglicol (etanodiol). Líquido incolor xaroposo, de cheiro levemente picante, utilizado na fabricação do nitroglicol (explosivo), como solvente de vernizes, como anticongelante ou em síntese orgânica.

2) Propilenoglicol (propan - 1,2 - diol). Líquido incolor, viscoso e higroscópico.

II. Outros poliálcoois

1) Glicerol (propano - 1,2,3 - triol). O glicerol (conhecido igualmente pelo nome de glicerina) pode obter-se por purificação do glicerol em bruto (destilação, purificação por permuta de íons, por exemplo) ou por síntese a partir do propileno.

O glicerol tem sabor adocicado. É geralmente incolor e inodoro, mas pode por vezes apresentar uma cor ligeiramente amarelada.

Para classificar-se na presente posição, o glicerol deve ter um grau de pureza igual ou superior a 95% (calculado sobre o peso do produto seco). O glicerol com grau de pureza inferior (glicerol em bruto) está excluído (posição 15.20).

2) 2 - Etil - 2 (hidroximetil) propan - 1,3 - diol(trimetilolpropano). Utilizado na fabricação de vernizes e de resinas alquídicas, de óleos secativos sintéticos, de espumas ou de tintas poliuretânicas.

3) Pentaeritritol (pentaeritrita). Pó branco e cristalino. Emprega-se na fabricação de explosivos e de plásticos.

4) Manitol. Pó ou grânulos brancos cristalinos. Muito freqüente no reino vegetal (seiva do Fraxinus ornus); obtém-se, principalmente, por síntese, e emprega-se como laxativo suave e na fabricação de certos explosivos (hexanitromanita, hexanitrato de manitol).

5) D - glucitol(sorbitol). Pó, branco, cristalino, higroscópico, utilizado em perfumaria, na fabricação do ácido ascórbico (empregado em medicina), na preparação de produtos tensoativos, como substituto do glicerol, como umectante, etc.

6) Pentanotriol, hexanotriol, etc.

A presente posição exclui o sorbitol da posição 38.24.

D. - DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS DOS ÁLCOOIS ACÍCLICOS

1) Hidrato de cloral ou (2,2,2 - tricloroetano - 1,1 - diol) ou tricloroetilenoglicol (CCl3CH(OH)2). Cristais incolores, tóxicos. Emprega-se como sonífero ou em síntese orgânica.

2) Álcool triclorobutílico terciário, utilizado em terapêutica.

3) Etclorvinol. Substância psicotrópica - ver a lista inserida no fim do Capítulo 29.

A. - ÁLCOOIS CICLÂNICOS, CICLÊNICOS E CICLOTERPÊNICOS E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, ETC.

1) Mentol. Álcool secundário que constitui a parte principal da essência da menta. Apresenta-se em cristais. Anti - séptico, descongestionante nasal e anestésico local.

2) Cicloexanol, metil - e dimetilcicloexanóis. São compostos com cheiro característico semelhante ao da cânfora. Empregam-se como solventes de vernizes. O dimetilcicloexanol emprega-se na indústria dos sabões.

3) Esteróis. São álcoois alicíclicos saturados ou insaturados, cuja estrutura deriva do composto peridro - 1,2 - ciclopentanofenantreno com o grupo hidroxila ligado ao carbono 3, um grupo metila ligado aos carbonos 10 e 13, respectivamente, e uma cadeia lateral de 8 a 10 átomos de carbono ligada ao carbono 17. Muito abundantes e existem no estado livre ou esterificados, no organismo animal (zooesteróis), ou no reino vegetal (fitoesteróis). O mais importante dos esteróis compreendidos nesta posição é o colesterol. Este produto é extraído principalmente da medula espinhal de animais ou da suarda ou também a partir da bílis ou como produto secundário da extração da lecitina da gema do ovo. Apresenta-se em tabletes, é incolor, brilhante e insolúvel em água.

O ergosterol que se encontra nas plantas inferiores (cogumelos) ou na cravagem de centeio é uma provitamina de onde se extrai a vitamina D2, pela irradiação de raios ultravioletas. A vitamina D2 e o ergosterol estão compreendidos na posição 29.36.

4) Inositóis. São constituintes dos tecidos vivos. Existem nove isômeros. Cristais brancos. Muito abundantes nos tecidos vegetais e animais.

5) Terpineóis. Estes álcoois muito importantes são a base de perfumes do gênero lilás, etc. Na natureza, encontram-se no estado livre ou esterificados em numerosos óleos essenciais (de cardamomo, laranja - doce, flor da laranjeira, petit - grain, manjerona, nóz - moscada, terebintina, louro - cereja, canforeiro (folhas de Laurus camphora), etc.).

O terpineol comercial é, em geral, uma mistura de isômeros, que permanece classificado aqui (Nota 1 b) do Capítulo 29). É um líquido oleoso incolor, que, às vezes, se emprega como bactericida; também pode apresentar-se no estado sólido e utiliza-se então em farmácia e como bactericida.

6) Terpina. Obtida por síntese, apresenta-se em cristais brancos. O hidrato de terpina, que se fabrica a partir da essência de terebintina, apresenta-se em cristais incolores, de cheiro aromático; tem aplicações medicinais e também na preparação do terpineol.

7) Borneol (“cânfora - de - bornéu”). Álcool correspondente à função cetona da cânfora, cujo aspecto e cheiro lembram os da cânfora natural. Apresenta-se em massas cristalinas brancas, às vezes acastanhada; é volátil à temperatura ambiente.

8) Isoborneol. Obtido como produto intermediário da preparação da cânfora a partir do alfapineno; cristaliza-se em lamelas.

9) Santalol. É o principal constituinte do óleo de sândalo (Santalum album).

B. - ÁLCOOIS AROMÁTICOS E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, ETC.

Os álcoois aromáticos contêm também o grupo hidroxila (-OH) dos álcoois acíclicos, mas este grupo está ligado às cadeias laterais e não aos núcleos (anéis) aromáticos.

1) Álcool benzílico (fenilcarbinol). Encontra-se no estado livre ou esterificado nas essências de jasmim e de tuberosa ou esterificado no estoraque e no bálsamo - de - tolu. É um líquido incolor, de leve cheiro agradável e aromático. Emprega-se em síntese orgânica, na preparação de vernizes, corantes, perfumes artificiais, etc.

2) 2 - Feniletanol (álcool feniletílico). Líquido que constitui o princípio odorífero das rosas.

3) 3 - Fenilpropanol (álcool fenilpropílico). Encontra-se no estoraque, no benjoim de Sumatra, no óleo de cássia, no óleo de canela da China. É um líquido denso, incolor, com leve cheiro de jacinto.

4) Álcool cinâmico. Encontra-se no estoraque líquido e no bálsamo do Peru. Cristaliza-se em agulhas, tendo cheiro de jacinto.

5) Difenilmetanol (difenilcarbinol, benzidrol). Cristaliza-se em agulhas.

6) Trifenilmetanol (trifenilcarbinol). Apresenta-se em cristais. Deste álcool derivam importantes substâncias corantes (grupo das aurinas, da rosanilina, etc.).

Na acepção da presente posição, consideram-se derivados sulfonados de álcoois os compostos bissulfíticos dos aldeídos e das cetonas. Também estão aqui compreendidos os alcoolatos metálicos dos álcoois cíclicos.

SUBCAPÍTULO III
FENÓIS E FENÓIS - ÁLCOOIS, E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS

Os fenóis são compostos nos quais um ou mais átomos de hidrogênio do núcleo (anel) benzênico foram substituídos pelo grupo hidroxila (-OH).

Obtêm-se monofenóis quando a hidroxila substitui um átomo de hidrogênio, os polifenóis quando se substituem dois ou mais átomos de hidrogênio.

Esta substituição pode, por seu lado, afetar um ou mais núcelos (anéis) benzênicos: no primeiro caso, obtêm-se fenóis mononucleares, no segundo, fenóis polinucleares.

A substituição pelo grupo hidroxila pode ocorrer também em homólogos do benzeno: no caso do tolueno, obtém-se um homólogo do fenol chamado “cresol”; no caso do xileno, obém-se o “xilenol”.

Também estão aqui compreendidos os sais e os alcoolatos metálicos dos fenóis e dos fenóis - álcoois.

A. - MONOFENÓIS MONONUCLEARES

l) Fenol (hidroxibenzeno) (C6H5.OH). Obtém-se pela destilação fracionada dos alcatrões de hulha ou por síntese. Apresenta-se em cristais brancos, de cheiro característico, que se tornam avermelhados quando na presença da luz ou em soluções aquosas. É anti - séptico, com aplicações medicinais. Também se emprega para preparar explosivos, resinas sintéticas, plásticos, plastificantes, corantes, etc.

Para ser incluído na presente posição, o fenol deve ter um grau de pureza mínimo de 90%, em peso. O fenol de grau de pureza inferior está excluído (posição 27.07).

2) Cresóis. (CH3.C6H4.OH). Estes fenóis, derivados do tolueno, encontram-se em proporções variáveis no óleo de alcatrão de hulha.

Há três isômeros puros: o o - cresol, pó branco cristalino que acastanha com o tempo, de cheiro característico de fenol e deliqüescente; o m - cresol, líquido oleoso, incolor ou amarelado, fortemente refringente, com cheiro de creosoto, e o p - cresol, em massas cristalinas incolores, que se torna avermelhado e depois acastanhado, na presença da luz; tem cheiro de fenol.

Para se incluírem nesta posição, os cresóis isolados ou em mistura devem conter, pelo menos, 95%, em peso, de cresol, compreendendo o conjunto de todos os isômeros do cresol. Os cresóis de grau de pureza inferior estão excluídos (posição 27.07).

3) Octilfenol, nonilfenol e seus isômeros.

4) Xilenóis ((CH3)2.C6H3.OH). São derivados fenólicos do xileno, de que se conhecem seis isômeros; extraem-se dos óleos de alcatrão de hulha.

Para se incluírem nesta posição, os xilenóis, isolados ou em mistura, devem conter, pelo menos, 95% em peso, de xilenol, compreendendo o conjunto de todos os isômeros do xilenol. Excluem-se os xilenóis de menor pureza (posição 27.07).

5) Timol (5 - metil - 2 - isopropilfenol). Encontra-se na essência de tomilho e apresenta-se em cristais incolores, com cheiro de tomilho. Aplica-se em medicina, perfumaria, etc.

6) Carvacrol (2 - metil - 5 - isopropilfenol). É um isômero do timol que provém da essência de orégão. Líquido denso, viscoso, de cheiro penetrante.

B. - MONOFENÓIS POLINUCLEARES

1) Naftóis (C10H7.OH). São os fenóis naftalênicos; apresentam-se sob duas formas isômeras:

a) O a - naftol. Agulhas cristalinas, incolores e brilhantes, fragmentos cinzentos ou pó esbranquiçado, cujo cheiro desagradável lembra o do fenol; é tóxico e utiliza-se em síntese orgânica (na obtenção de corantes, etc.)

b) O b - naftol, em lamelas brilhantes, incolores, ou em pó cristalino, branco ou ligeiramente rosado, com um leve cheiro de fenol; tem as mesmas aplicações que o alfa - naftol. Utiliza-se também em medicina, como antioxidante da borracha, etc.

2) o - Fenilfenol.

C. - POLIFENÓIS

1) Resorcinol (m - diidroxibenzeno). Este m - difenol apresenta-se em tabletes ou agulhas incolores, que se tornam castanhas em contato com o ar, com leve cheiro de fenol. Emprega-se na preparação de corantes artificiais, de explosivos, em medicina e em fotografia.

2) Hidroquinona (hidroquinol, p - diidroxibenzeno). Este p - difenol apresenta-se em pequenas folhas cristalinas brilhantes. Emprega-se na preparação de corantes orgânicos, de produtos farmacêuticos, de produtos fotográficos, como antioxidante (especialmente na indústria da borracha), etc.

3) 4,4' - Isopropilidenodifenol (bisfenol A, difenilol - propano). Apresenta-se em palhetas brancas.

4) Pirocatecol (o - diidroxibenzeno). Cristaliza-se em agulhas ou tabletes, incolores, brilhantes, com um leve cheiro de fenol. Utiliza-se na preparação de produtos farmacêuticos, fotográficos, etc.

5) Hexilresorcinol.

6) Heptilresorcinol.

7) 2,5 - Dimetilidroquinona (2,5 - dimetilidroquinol).

8) Pirogalol. Tóxico, apresenta-se em pó branco cristalino, leve, brilhante, inodoro, e que se torna castanho facilmente em contato com a luz e com o ar. Entra na preparação de cores orgânicas, como mordente, em fotografia, etc.

9) Floroglucinol. Apresenta-se em cristais grandes, incolores; sua solução aquosa é fluorescente. É um reagente em análise química e também se emprega em medicina, em fotografia, etc.

10) Hidroxiidroquinona (1,2,4 - triidroxibenzeno). Apresenta-se em cristais microscópicos e incolores ou em pó que escurece em contato com a luz.

11) Diidroxinaftalenos (C10H6.(OH)2). Constituem um grupo de compostos que derivam do naftaleno, em cujo núcleo (anel) dois átomos de hidrogênio foram substituídos por hidroxilas (-OH). Existem dez diidroxinaftalenos diferentes, alguns deles são utilizados na fabricação de matérias corantes.

D. - FENÓIS ÁLCOOIS

São compostos derivados de hidrocarbonetos aromáticos pela substituição de um átomo de hidrogênio do núcleo (anel) benzênico pela função fenólica (hidroxila OH), e de outro átomo de hidrogênio não pertencente ao núcleo (anel) benzênico pela função alcoólica. Apresentam, pois, simultaneamente, características de fenóis e de álcoois.

Entre eles o mais importante é o álcool salicílico (saligenina) (OH.C6H4.CH2.OH); apresenta-se em cristais brancos, com aplicações em medicina, como analgésico e antipirético.

São compostos derivados dos fenóis ou dos fenóis - álcoois em que um ou mais átomos de hidrogênio foram substituídos, quer por um halogênio, quer por um grupo sulfônico (-SO3H), quer ainda por um grupo nitrato (-NO2), ou por um grupo nitrosado (-NO), ou por uma combinação destes grupos.

A. - DERIVADOS HALOGENADOS DOS FENÓIS OU DOS FENÓIS - ÁLCOOIS

1) o - Clorofenol. Líquido de cheiro forte.

2) m - Clorofenol. Cristais incolores.

3) p - Clorofenol. Massa cristalina, com cheiro desagradável.

Estes três produtos empregam-se em síntese orgânica (na preparação de corantes orgânicos, etc.).

4) p - Cloro - m - cresol. (4 - cloro - 3 - metilfenol). É um produto desinfetante, inodoro, pouco solúvel em água, mas que se emulsiona facilmente com o sabão.

5) Cloroidroquinona (cloroquinol).

B. - DERIVADOS SULFONADOS DOS FENÓIS OU DOS FENÓIS - ÁLCOOIS

1) Ácidos fenolsulfônicos (HO.C6H4.SO3H). Obtêm-se por sulfonação do fenol.

2) Ácidos naftolsulfônicos. Preparam-se por sulfonação direta dos naftóis ou por outros processos de síntese. Constituem um numeroso grupo de compostos que se utilizam na fabricação de matérias corantes, entre os quais se incluem:

a) O ácido 1 - 4 - naftolsulfônico (ácido de Neville - Winther). Em lamelas transparentes e brilhantes, ou em pó branco - amarelado.

b) O ácido 2 - 6 - naftolsulfônico (ácido de Schaeffer). Pó branco - rosado.

c) O ácido 2 - 7 - naftolsulfônico (ácido F). Pó branco.

d) O ácido 1 - 5 - naftolsulfônico. Cristais deliqüescentes.

e) O ácido 2 - 8 - naftolsulfônico (ácido crocéico). Pó branco - amarelado.

C. - DERIVADOS NITRADOS DOS FENÓIS E DOS FENÓIS - ÁLCOOIS

1) o - , m - e p - Nitrofenóis (HO.C6H4.NO2). Cristais amarelados, empregados na preparação de matérias corantes orgânicas ou de produtos farmacêuticos.

2) Dinitrofenóis (HO.C6H3.(NO2)2). São pós cristalinos utilizados na preparação de explosivos, corantes de enxofre, etc.

3) Trinitrofenol (ácido pícrico) (HO.C6H2.(NO2)3). Cristais brilhantes de cor amarela, inodoros. Tóxico. Emprega-se contra queimaduras e, principalmente, como explosivo. Os seus sais são os picratos.

4) Dinitro - o - cresóis.

5) Trinitroxilenóis.

D. - DERIVADOS NITROSADOS DOS FENÓIS OU DOS FENÓIS - ÁLCOOIS

1) o - , m - e p - Nitrosofenóis. O fato de se poderem apresentar com a forma tautômera quinona oxima não modifica a sua classificação.

2) Nitrosonaftóis.

SUBCAPÍTULO IV
ÉTERES, PERÓXIDOS DE ÁLCOOIS, PERÓXIDOS DE ÉTERES, PERÓXIDOS DE CETONAS, EPÓXIDOS COM TRÊS ÁTOMOS NO CICLO, ACETAIS E SEMI - ACETAIS E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS

A. - ÉTERES

Designam-se por éteres os compostos que podem considerar-se álcoois ou fenóis, nos quais o átomo de hidrogênio do grupo hidroxila foi substituído por um radical hidrocarbonado (alquílico ou arílico); representam-se pela forma esquemática seguinte: (R - O - R'), em que R e R' podem ser iguais ou diferentes.

Estes compostos são substâncias neutras e muito estáveis.

Se os radicais pertencerem à série acíclica, têm-se os éteres acíclicos; se pertencerem à série cíclica, têm-se os éteres cíclicos, etc.

Na série acíclica, o primeiro membro da série é gasoso, os outros são líquidos móveis, voláteis, de cheiro característico; os membros superiores são líquidos ou mesmo sólidos.

I) Éteres acíclicos simétricos.

1) Éter dietílico (óxido de dietila) (C2H5.OC2H5). É um líquido móvel, incolor, refringente, de cheiro cáustico característico, extremamente volátil e muito inflamável. Emprega-se como anestésico e em síntese orgânica.

2) Éter diclorodietílico (óxido de etila diclorado).

3) Éter diisopropílico (óxido de isopropila).

4) Éter dibutílico (óxido de butila).

5) Éter dipentílico (óxido de amila).

II) Éteres acíclicos não simétricos.

1) Éter metiletílico (óxido de metiletila).

2) Éter isopropiletílico (óxidos de isopropiloetila).

3) Éteres butiletílicos (óxidos de butiletila).

4) Éteres pentiletílicos (óxidos de amiletila).

III) Éteres ciclânicos, ciclênicos ou cicloterpênicos.

IV) Éteres aromáticos.

1) Anisol (C6H5.OCH3) (éter metilfenílico). Líquido incolor, de cheiro especial, agradável, que se emprega em síntese orgânica (fabricação de perfumes sintéticos, etc.), como solvente, vermífugo, etc.

2) Fenetol (óxido de fenila e etila) (C6H5.OC2H5).

3) Éter difenílico (óxido de fenila) (C6H5.OC6H5). Apresenta-se em agulhas cristalinas, incolores, com um cheiro semelhante à essência de gerânio. Emprega-se em perfumaria.

4) 1,2 - Difenoxietano (éter difenílico do etilenoglicol).

5) Anetol. Encontra-se nos óleos essenciais de anis. A uma temperatura inferior a 20°C, é sólido, em forma de pequenos cristais; a temperaturas superiores, é líquido, móvel, com um cheiro intenso de essência de anis.

6) Éter dibenzílico (óxido de benzila).

7) Nitrofenetóis. São derivados nitrados do fenetol. O o - nitrofenetol é um óleo amarelo; o p - nitrofenetol apresenta-se em cristais.

8) Nitroanisóis. São derivados nitrados do anisol, o o - mononitroanisol é líquido; o m - e o p - nitroanisol apresentam-se cristalizados em lamelas; o trinitroanisol é um explosivo violentíssimo.

9) 2 - Tert - butil - 5 - metil - 4,6 - dinitroanisol (almíscar - ambreta), cristais amarelados que combinam os perfumes da essência de ambreta e do almíscar natural.

10) Éteres metílicos e etílicos do b - naftol (essência artificial de Nerole ou Neroline). Apresenta-se em pó cristalino, incolor, de cheiro semelhante ao da essência de nerole.

11) Éteres metílicos do m - cresol e do butil - m - cresóis.

12) Éteres feniltolílicos.

13) Éteres ditolílicos.

14) Éteres benziletílicos.

B. - ÉTERES - ÁLCOOIS

São éteres que derivam dos poliálcoois ou dos fenóis - álcoois em que o hidrogênio da hidroxila fenólica - no caso dos fenóis - álcoois - ou de uma das hidroxilas alcoólicas - no caso dos poliálcoois - foi substituído por um radical alquílico ou por um radical arílico.

1) 2,2' - Oxidietanol (dietilenoglicol). Líquido incolor que se emprega em síntese orgânica, como solvente de gomas ou de resinas, na preparação de explosivos ou de plásticos.

2) Éteres monometílico, monoetílico, monobutílico e outros éteres monoalquílicos do etilenoglicol ou do dietilenoglicol.

3) Éteres monofenílicos do etilenoglicol ou do dietilenoglicol.

4) Álcool anísico.

5) Guaietolina (DCI) (glicerilguetol, éter mono(2 - etoxifenílico) de glicerol); guaifenesina (DCI) (glicerilgaiacol, 3 - (2 - metoxifenoxi)propano - 1,2 - diol).

C. - ÉTERES - FENÓIS E ÉTERES - ÁLCOOIS - FENÓIS

São éteres que derivam dos difenóis ou dos fenóis - álcoois, em que o hidrogênio de hidroxila alcoólica - no caso dos fenóis - álcoois - ou de uma das hidroxilas fenólicas - no caso dos difenóis - foi substituído por um radical alquílico ou por um radical arílico.

1) Guaiacol. Encontra-se no alcatrão da madeira de faia. Constitui a principal parte do creosoto de madeira. Apresenta-se ou em cristais incolores, de cheiro aromático característico, ou ainda fundidos. Quando fundido, permanece líquido. Tem aplicações medicinais e também em síntese orgânica.

2) Sulfoguaiacol (DCI) (sulfoguaiacolato de potássio). Pó fino, muito empregado em medicina.

3) Eugenol. Obtém-se a partir do cravo - da - índia; é líquido incolor, com cheiro de cravo.

4) Isoeugenol. Obtém-se sinteticamente a partir do eugenol. Entra na composição do óleo de noz - moscada.

5) Éter monoetílico do pirocatecol (guetol). Encontra-se no alcatrão da madeira de pinho sueco. Apresenta-se em cristais incolores, de cheiro aromático; é cáustico.

D. - PERÓXIDOS DE ÁLCOOIS, ÓXIDOS DE ÉTERES E ÓXIDOS DE CETONAS

São compostos dos tipos: R.O.O.H e R.O.O.R, nos quais R é um radical orgânico.

Citam-se, por exemplo, o hidroperóxido de etila e o peróxido de dietila.

Também se incluem nesta posição os peróxidos de cetonas (de constituição química definida ou não), por exemplo, o peróxido de cicloexanona (peróxido de 1 - hidroperoxicicloexila e de 1 - hidroxicicloexila).

A presente posição também compreende os derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados dos éteres, dos éteres - álcoois ou dos éteres - fenóis, dos éteres - álcoois - fenóis, dos peróxidos de álcoois, de cetonas ou de éteres, e ainda os derivados mistos: nitrossulfonados, sulfoalogenados, nitroalogenados, nitrossulfoalogenados, etc.

Esta posição compreende os compostos orgânicos (dióis, glicóis) com duas hidroxilas, em que a perda de uma molécula de água determina a formação de éteres internos geralmente estáveis.

Por exemplo: do glicol etilênico, pela perda de uma molécula de água, pode obter-se o oxirano (óxido de etileno ou epóxido de etileno):

O epóxido que deriva do glicol propilênico, isto é, do glicol etilênico em que um átomo de hidrogênio foi substituído por um radical metílico (-CH3), chama-se metiloxirano (1,2 - epoxipropano ou óxido de propileno):

O que deriva do glicol etilênico no qual um átomo de hidrogênio foi substituído por um radical fenílico (-C6H5) chama-se óxido de estireno (a - b - epoxietilbenzeno):

Esta posição compreende os epóxidos com três átomos no ciclo, em especial:

1) Oxirano (Óxido de etileno ou epóxido de etileno). Prepara-se por oxidação catalítica do etileno proveniente dos gases de craqueamento (cracking). Gás incolor à temperatura ambiente, liquefaz-se abaixo de 12°C. É antiparasitário e emprega-se na conservação de frutas e de outros alimentos, em síntese orgânica e na preparação de plastificantes ou de produtos tensoativos.

2) Metiloxirano (óxido de propileno ou epóxido de propileno). É um líquido incolor, com cheiro de éter, que se emprega como solvente da nitrocelulose, do acetato de celulose, de gomas e resinas e como inseticida; também se emprega em síntese orgânica e na preparação de plastificantes ou de produtos tensoativos.

3) Óxido de estireno.

Também se incluem nesta posição:

A) Os epoxiálcoois, epoxifenóis e os epoxiéteres, que contêm respectivamente, as funções álcool, fenol e éter, além dos grupos epóxidos.

B) Os derivados halogenados, sulfonados, nitrados e nitrosados dos epóxidos e seus derivados mistos: nitrossulfonados, sulfoalogenados, nitroalogenados, nitrossulfoalogenados, etc.

Entre os derivados halogenados podem citar-se o 1 - cloro - 2,3 - epoxipropano (epicloridrina), líquido extremamente volátil e instável.

Excluem-se os epóxidos com quatro átomos no ciclo (posição 29.32).

A. - ACETAIS E SEMI - ACETAIS

Os acetais podem ser considerados diéteres dos hidratos, em geral hipotéticos, dos aldeídos e acetonas.

Os semi - acetais são monoéteres em que o átomo de carbono adjacente ao átomo de oxigênio da função éter possui um grupo hidroxila.

Os acetais e semi - acetais contendo outras funções oxigenadas são acetais e semi - acetais que contêm uma ou mais funções oxigenadas (função álcool, etc.) mencionadas nas posições precedentes do presente Capítulo.

1) Metilal (CH2(OCH3)2). É o acetal do hidrato hipotético do formaldeído; líquido incolor e com cheiro de éter; empregado como solvente, anestésico e em síntese orgânica.

2) Acetal dimetílico (CH3.CH.(OCH3)2). É o acetal que deriva do hidrato hipotético do aldeído acético. Emprega-se como anestésico.

3) Acetal dietílico (CH3.CH.(OC2H5)2). Deriva também do hidrato hipotético do aldeído acético. É um líquido incolor, com cheiro agradável de éter, empregado como solvente e anestésico.

Excluem-se desta posição os acetais polivinílicos (posição 39.05).

B. - DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS

Os derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados dos acetais e semi - acetais são compostos que se obtêm pela substituição total ou parcial de um ou mais átomos de hidrogênio de acetal por halogênios (por exemplo, monoetilacetalcloralidrato ou cloropropilacetal) por grupos sulfônicos (-SO3H), por grupos nitrados (-NO2), ou por grupos nitrosados (-NO).

Também se compreendem nesta posição os derivados mistos: nitroalogenados, nitrossulfonados, sulfoalogenados, nitrossulfoalogenados, etc.

SUBCAPÍTULO V
COMPOSTOS DE FUNÇÃO ALDEÍDO

São compostos que se formam pela oxidação dos álcoois primários e que contêm um grupo característico:

Em geral, constituem líquidos incolores, de cheiro forte, penetrante que, em contato com o ar, se oxidam facilmente e se transformam em ácidos.

Designam-se por “aldeídos contendo outras funções oxigenadas”, os aldeídos que, além da função própria de aldeído, contêm uma ou mais funções oxigenadas mencionadas nos Subcapítulos precedentes (funções álcool, fenol, éter, etc.).

A. - ALDEÍDOS

I) Aldeídos acíclicos saturados.

1) Metanal (formaldeído) (H.CHO). Obtém-se por oxidação catalítica do álcool metílico. É um gás incolor, de cheiro penetrante, muito solúvel em água. As suas soluções aquosas a 40% são conhecidas por “formol”, que é um líquido incolor, de cheiro penetrante e sufocante; estas soluções podem conter álcool metílico como estabilizante.

O metanal tem variadas aplicações: em síntese orgânica (para preparar corantes, explosivos, produtos farmacêuticos, tanantes sintéticos, plásticos, etc.), como anti - séptico, desodorante, redutor, etc.

2) Etanal (acetaldeído, aldeído acético) (CH3.CHO). Obtém-se por oxidação do álcool etílico ou a partir do acetileno. É um líquido incolor, móvel, de cheiro acentuado de frutas, cáustico, facilmente volátil, inflamável, miscível com água, álcool e éter. Emprega-se em síntese orgânica (na preparação de plásticos, vernizes, etc.) e em medicina, como anti - séptico.

3) Butanal (butiraldeído, isômero normal) (CH3.CH2.CH2.CHO). Líquido incolor, miscível com água, álcool e éter. Entra na preparação de plásticos, perfumes e aceleradores de vulcanização da borracha.

4) Heptanal (heptaldeído, aldeído heptílico, œnantol) (CH3.(CH2)5.CHO). Obtido por destilação do óleo de rícino; é um líquido incolor de cheiro penetrante.

5) Octanal (aldeído caprílico) (C8H16O), nonanal (aldeído pelargônico) (C9H18O), decanal (aldeído cáprico) (C10H20O), undecanal (aldeído undecílico) (C11H22O), dodecanal (aldeído láurico) (C12H24O), etc.; matérias - primas para perfumaria.

II) Aldeídos acícliclos não saturados.

1) Propenal (acrilaldeído, aldeído acrílico, acroleína) (CH2=CH.CHO). Formado por aquecimento de substâncias gordurosas. É um líquido de cheiro característico acre e irritante. Emprega-se em síntese orgânica.

2) 2 - Butenal (crotonaldeído, aldeído crotônico) (CH3.CH=CH.CHO). Encontra-se nos produtos da primeira destilação do álcool em bruto. É um líquido incolor, de cheiro penetrante.

3) Citral. Líquido de cheiro agradável que se encontra nas essências de mandarina, cidra, limão e, mais especialmente, na verbena das Indias (lemon grass).

4) Citronelal. Encontra-se no óleo de cidra.

III) Aldeídos ciclânicos, ciclênicos e cicloterpênicos.

1) Felandral ou aldeído tetraidrocumínico. Encontra-se nas essências de funcho ou de eucalipto.

2) Ciclocitrais A e B. Obtidos do citral.

3) Perilaldeído. Encontra-se nos óleos essenciais de Perilla mankinensis.

4) Safranal.

IV) Aldeídos aromáticos.

1) Benzaldeído (aldeído benzóico) (C6H5.CHO). É um líquido incolor, com cheiro característico de amêndoas amargas, fortemente refringente. Emprega-se em síntese orgânica, em medicina, etc.

2) Aldeído cinâmico (C6H5.CH=CH.CHO). Líquido amarelado, oleoso, com cheiro forte de canela. Emprega-se na fabricação de perfumes artificiais.

3) Aldeídoa - amilcinâmico.

4) 3 - (p - cumenil) - 2 - metilpropionaldeído.

5) Aldeído fenilacético (C6H5.CH2.CHO). Líquido com cheiro forte de jacinto que se emprega em perfumaria.

B. - ALDEÍDOS - ÁLCOOIS

São compostos que contêm nas suas moléculas as funções aldeído e álcool.

1) Aldol (CH3.CH(OH).CH2.CHO). Obtém-se por condensação aldólica do aldeído acético. Líquido incolor, que em repouso aglomera-se numa massa cristalina, que é o seu próprio polímero, chamado “para - aldol”. Emprega-se em síntese orgânica na fabricação de plásticos ou na flotação de minérios.

2) Hidroxicitronelal (C10H20O2). Líquido incolor, levemente xaroposo, com cheiro muito pronunciado de convalárias. Emprega-se em perfumaria como fixador.

3) Aldeído glicólico (CH2(OH).CHO). Cristaliza-se em agulhas incolores.

C. - ALDEÍDOS - ÉTERES, ALDEÍDOS - FENÓIS E ALDEÍDOS CONTENDO OUTRAS FUNÇÕES OXIGENADAS

Os aldeídos - éteres são compostos que têm, simultaneamente, nas suas moléculas a função aldeído (-CHO) e a função éter.

Os aldeídos - fenóis são compostos que têm nas suas moléculas as duas funções: fenol (C6H5.OH) e aldeído (-CHO).

Entre os aldeídos - fenóis e os aldeídos - éteres, os mais importantes são os seguintes:

1) Vanilina (aldeído metilprotocatéquico), é o éter metílico do aldeído protocatéquico, que se encontra na baunilha. Apresenta-se em agulhas brilhantes ou em pó branco cristalino.

2) Etilvanilina (3 - etoxi - 4 - hidroxibenzaldeído). Cristais finos e brancos.

3) Aldeído salicílico (aldeído o - hidroxibenzóico) (OH.C6H4.CHO). Líquido oleoso, incolor, com cheiro característico de amêndoas amargas, que se emprega na fabricação de perfumes sintéticos.

4) 3,4 - Diidroxibenzaldeído (aldeído protocatéquico) ((OH)2.C6H3.CHO). Agulhas brilhantes e incolores.

5) Aldeído anísico (CH3O.C6H4.CHO) (aldeído p - metoxibenzóico). Encontram-se na essência do anis e do funcho. É um líquido incolor que se emprega em perfumaria, sob a denominação de “essência de pilriteiro” (aubépine).

D. - POLÍMEROS CÍCLICOS DOS ALDEÍDOS

1) Trioxano (trioximetileno). É um polímero sólido do formaldeído. Apresenta-se sob a forma de uma matéria cristalina branca, solúvel em água, álcool ou éter.

2) Paraldeído. Polímero do etanal, líquido incolor, com cheiro agradável, semelhante do éter, muito inflamável. Emprega-se em numerosas sínteses orgânicas, em medicina, como soporífero ou desinfetante, etc.

3) Metaldeído. Trata-se também de um polímero do etanal. É um pó cristalino, branco, insolúvel em água. Nesta posição se inclui o metaldeído em cristais ou em pó.

O metaldeído apresentado em tabletes, varetas ou formas semelhantes, para ser utilizado como combustível, classifica-se na posição 36.06 (Nota 2 a) do Capítulo 36).

E. - PARAFORMALDEÍDO

Este polímero (HO.(CH2O)n.H) é obtido por evaporação de soluções aquosas de formaldeído. É uma substância sólida, branca, em flocos ou em pó, com um cheiro pronunciado de formaldeído. Utiliza-se na fabricação de plásticos, de colas impermeáveis e de produtos farmacêuticos. Emprega-se também como desinfetante e como agente de conservação.

Excluem-se desta posição os compostos bissulfíticos dos aldeídos, que se consideram derivados sulfonados de álcoois (posições 29.05 a 29.11, conforme o caso).

São compostos que derivam dos aldeídos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio dos radicais contidos nas suas moléculas, com exceção do hidrogênio da função aldeído (-CHO), por um ou mais halogênios, grupos sulfônicos (-SO3H), grupos nitrados (-NO2) ou grupos nitrosados (-NO) ou por qualquer combinação destes halogênios ou grupos.

O mais importante é o cloral (tricloroacetaldeído) (CCl3.CHO). Anidro, é um líquido incolor, móvel, de cheiro penetrante, empregado como soporífero.

O hidrato de cloral ou 2,2,2 - tricloro - 1,1 - etanodiol ou tricloroetilidenoglicol (CCl3.CH(OH)2) classifica-se na posição 29.05.

Também se excluem desta posição os compostos bissulfíticos dos aldeídos, que se consideram derivados sulfonados de álcoois (posições 29.05 a 29.11, conforme o caso).

SUBCAPÍTULO VI
COMPOSTOS DE FUNÇÃO CETONA OU DE FUNÇÃO QUINONA

As “cetonas e quinonas contendo outras funções oxigenadas” são compostos que compreendem, nas suas moléculas, além da função cetona e quinona, uma ou várias das funções oxigenadas referidas nos Subcapítulos antecedentes (função álcool, éter, fenol, acetal ou aldeído, por exemplo).

A. - CETONAS

São compostos que contêm o grupo (C=O), chamado “carbonila”. Podem representar-se pela fórmula esquemática (R - CO - R1), em que R e R1 representam radicais alquílicos ou arílicos (metila, etila, propila, fenila, etc.).

As cetonas podem apresentar-se com duas formas tautômeras: a forma cetônica verdadeira (-CO-) e a forma enólica (=C(OH)-). Em ambos os casos, classificam-se na presente posição.

I) Cetonas acíclicas.

1) Acetona (propanona) (CH3.CO.CH3). Este composto, que se encontra nos produtos da destilação a seco da madeira (no álcool metílico e no ácido pirolenhoso, em bruto), é obtido, principalmente, por síntese. Líquido móvel, incolor, com cheiro agradável, semelhante ao do éter. Utiliza-se em numerosas sínteses orgânicas, na fabricação de plásticos, como solvente de acetileno, de acetilcelulose ou de resinas, etc.

2) Butanona (metiletilcetona) (CH3.CO.C2H5). Líquido incolor encontrado entre os subprodutos da destilação do álcool obtido a partir dos melaços de beterraba. É também obtido por oxidação do álcool butílico secundário.

3) 4 - Metilpentan - 2 - ona (metilisobutilcetona) ((CH3)2.CH.CH2.CO.CH3). Líquido de cheiro agradável, que se emprega como solvente da nitrocelulose, gomas e resinas.

4) Óxido de mesitila. Líquido incolor, que deriva da condensação de duas moléculas de acetona.

5) Foronas. Compostos que derivam da condensação de três moléculas de acetona.

6) Pseudo - iononas. São cetonas complexas. Líquidos amarelados, com cheiro de violetas, que se empregam na preparação de “ionona” (essência artificial de violetas).

7) Pseudometiliononas. Líquidos com propriedades idênticas às pseudo - iononas, com cheiro de violetas, que se empregam em perfumaria.

8) Diacetila (CH3.CO.CO.CH3). Líquido amarelo - esverdeado, com cheiro penetrante de quinona. Emprega-se para aromatizar manteiga e margarina.

9) Acetilacetona(CH3.CO.CH2.CO.CH3). Líquido incolor, de cheiro agradável, que se emprega em sínteses orgânicas.

10)Acetonilacetona (CH3.CO.CH2.CH2.CO.CH3). Líquido incolor, de cheiro agradável, que se emprega em síntese orgânica.

II) Cetonas ciclânicas, ciclênicas ou cicloterpênicas.

1) Cânfora (C10H16O). Incluem-se aqui tanto a cânfora natural como a sintética. A cânfora natural obtém-se a partir da Laurus camphora, árvore originária da China e do Japão. A cânfora sintética obtém-se a partir do pineno, proveniente da essência de terebintina. Ambas se apresentam em massas cristalinas incolores, translúcidas, untuosas ao tato, de cheiro característico. A cânfora (natural ou sintética) tem aplicações medicinais como anti - séptico, e também se emprega contra as traças e na fabricação da celulóide.

A cânfora denominada de “Bornéu” ou “borneol” não é uma cetona, mas um álcool, denominado “borneol”, que se obtém por redução da cânfora; classifica-se na posição 29.06.

2) Cicloexanona (C6H10O). Obtida por síntese, é um líquido com cheiro semelhante ao da acetona. É um poderoso solvente da acetilcelulose e das resinas naturais e artificiais.

3) Metilcicloexanonas. Líquidos insolúveis em água.

4) Iononas (C13H20O). Derivam da condensação de citral com acetona. Distinguem-se:

a) A a - ionona, líquido incolor com cheiro pronunciado de violetas.

b) A b - ionona, líquido incolor com cheiro de violetas, menos delicado que o da a - ionona.

Ambas se empregam em perfumaria.

5) Metiliononas. Líquidos que podem variar do incolores até o amarelo - ambar.

6) Fenchona (C10H16O). Encontra-se na essência de funcho e no óleo essencial de tuia. Líquido límpido, incolor, com cheiro de cânfora; é um sucedâneo desta.

7) Irona. Encontra-se no óleo essencial das raízes de algumas variedades de íris. Líquido oleoso, incolor, com cheiro de íris; fortemente diluído tem cheiro delicado de violetas. Emprega-se em perfumaria.

8) Jasmona (C11H16O). Encontra-se na essência das flores de jasmim. É um óleo amarelo - claro, com cheiro acentuado de jasmim. Emprega-se em perfumaria.

9) Carvona (C10H14O). Encontra-se nas essências de alcaravia, anis, menta. Líquido incolor, com acentuado cheiro aromático.

10) Ciclopentanona (adipocetona) (C4H8CO). Encontra-se entre os produtos de destilação da madeira. Líquido com cheiro de menta.

11) Mentona (C10H18O). Encontra-se na essência da hortelã - pimenta e em outras essências. Pode obter-se sinteticamente por oxidação do mentol. Líquido móvel, incolor, refringente, com cheiro de menta.

III) Cetonas aromáticas.

1) Metilnaftilcetona.

2) Benzilidenoacetona (C6H5.CH=CH.CO.CH3). Cristais incolores, com cheiro de ervilhas.

3) Acetofenona (CH3.CO.C6H5). Líquido oleoso, incolor ou amarelo, de cheiro aromático agradável, que se emprega em perfumaria e em síntese orgânica.

4) Propiofenona.

5) Metilacetofenona (CH3.C6H4.CO.CH3). Líquido incolor ou amarelado, de cheiro agradável.

6) Butildimetilacetofenona.

7) Benzofenona (C6H5.CO.C6H5). Cristais incolores ou amarelados, com cheiro agradável de éter. Utiliza-se na fabricação de perfumes sintéticos e em síntese orgânica.

8) Benzantrona. Cristaliza-se em agulhas amareladas.

9) Fenilacetona (fenilpropan - 2 - ona). Líquido incolor ou amarelo - claro. Utilizado principalmente em síntese orgânica e como precursor na fabricação das anfetaminas (ver a lista dos precursores que se encontra no fim do Capítulo 29).

B. - CETONAS - ÁLCOOIS

São compostos que, nas suas moléculas, contêm as funções álcool e cetona.

1) 4 - Hidroxi - 4 - metilpentan - 2 - ona (diacetona - álcool). Líquido incolor.

2) Acetol (CH3.CO.CH2OH) (acetilcarbinol). Líquido incolor, de cheiro penetrante, que se emprega como solvente de vernizes celulósicos e de resinas.

C. - CETONAS - ALDEÍDOS

São compostos que, nas suas moléculas, contêm as funções cetona e aldeído.

D. - CETONAS - FENÓIS

São compostos que, nas suas moléculas, contêm a função cetônica e a função fenólica.

E. - QUINONAS

São dicetonas derivadas de compostos aromáticos pela transformação de dois grupos CH em grupos C=O, com o conveniente reagrupamento das duplas ligações.

1) Antraquinona (C6H4(CO)2.C6H4). Cristaliza-seem agulhas amarelas, que, depois de moídas, se transformam num pó branco. Emprega-se na preparação de matérias corantes.

2) p - Benzoquinona (quinona) (C6H4O2). Apresenta-se em cristais amarelos, de cheiro penetrante.

3) 1,4 - Naftoquinona (C10H6O2). Cristaliza-se em agulhas amarelas.

4) 2 - Metilantraquinona. Cristaliza-se em agulhas brancas.

5) Acenaftenoquinona. Cristaliza-se em agulhas amarelas.

6) Fenantrenoquinona. Cristaliza-se em agulhas amarelas.

F. - QUINONAS - ÁLCOOIS, QUINONAS - FENÓIS, QUINONAS - ALDEÍDOS E OUTRAS QUINONAS CONTENDO OUTRAS FUNÇÕES OXIGENADAS

As quinonas - álcoois, quinonas - fenóis e quinonas - aldeídos são compostos que, além da função quinona, contêm, na sua molécula, as funções álcool, fenol e aldeído, respectivamente.

1) a - Hidroxiantraquinona.

2) Quinizarina.

3) Crisazina.

G. - DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS DAS CETONAS, QUINONAS, CETONAS - ÁLCOOIS, ETC., DAS QUINONAS - ÁLCOOIS, ETC.

1) Brometo de cânfora (C10H15OBr). Apresenta-se em cristais tendo a forma de agulhas, com cheiro acentuado de cânfora. Emprega-se como sedativo.

2) 4' - Tert - butil - 2',6' - dimetil - 3',5' - dimitroacetofenona (almíscar acetona).

3) Ácido canfossulfônico.

Também se incluem aqui os derivados sulfoalogenados, nitroalogenados, nitrossulfonados, nitrossulfoalogenados e outros derivados mistos.

As matérias corantes orgânicas excluem-se desta posição (Capítulo 32). Também dela se excluem os compostos bissulfíticos das cetonas, que se consideram derivados sulfonados de álcoois (posições 29.05 a 29.11, conforme o caso).

SUBCAPÍTULO VII
ÁCIDOS CARBOXÍLICOS, SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Os ácidos incluídos neste Subcapítulo são ácidos carboxílicos que contêm, na sua molécula, a função característica (-COOH), chamada “grupo carboxila” e, também - teoricamente - os ácidos hipotéticos, chamados “ortoácidos” (R.C.(OH)3), que podem ser considerados ácidos carboxílicos hidratados, (R.COOH + H2O=R.C.(OH)3), os quais não existem no estado livre, mas podem dar origem a estáveis ésteres (ortoésteres, a considerar como ésteres de ácidos carboxílicos hidratados).

Consoante a molécula de um ácido carboxílico apresente um só ou mais grupos carboxílicos (-COOH), têm-se um ácido monocarboxílico ou um ácido policarboxílico.

Quando no grupo carboxila de um monoácido se subtrai a hidroxila (-OH), o restante constitui um radical ácido (acila), que, esquematicamente, se representa pela fórmula (R.CO-), onde R é um radical alquílico ou arílico (metila, etila, fenila, etc.). Os radicais ácidos encontram-se nas fórmulas dos anidridos, dos halogenetos, dos peróxidos, dos perácidos, dos ésteres ou dos sais.

Os ácidos sulfônicos, que apenas contêm o grupo ácido (-SO3H), são produtos de uma natureza diferente da dos ácidos carboxílicos; este Subcapítulo só compreende os que são derivados sulfonados de produtos químicos deste Subcapítulo; eles constituem os derivados sulfonados, classificados em outros Subcapítulos.

A. - ANIDRIDOS DE ÁCIDOS

Obtêm-se por eliminação de uma molécula de água, quer de duas moléculas de um ácido monobásico, quer de uma molécula de um ácido bibásico. São caracterizados pelo grupo (-CO.O.OC-).

B. - HALOGENETOS DE ÁCIDOS

Os halogenetos de ácidos (por exemplo, cloretos e brometos), têm a fórmula geral (R.CO.X, onde X é um halogênio), isto é, são representados por radicais ácidos saturados de cloro, bromo ou de outros halogênios.

C. - PERÓXIDOS DE ÁCIDOS

Os peróxidos de ácidos são compostos em que dois radicais ácidos se encontram ligados entre si por dois átomos de oxigênio. A sua fórmula esquemática é (R.CO-O-O-OC.R).

D. - PERÁCIDOS

Os perácidos têm a fórmula geral (R.CO.O.OH).

E. - ÉSTERES DE ÁCIDOS

Os ésteres dos ácidos carboxílicos são compostos obtidos pela substituição do hidrogênio do grupo carboxílico (-COOH) de um ácido por um radical alquílico ou arílico. Podem ser representados pela fórmula esquemática (R.CO.O.R1), onde R e R1 são radicais alquílicos ou arílicos (metila, etila, fenila, etc.).

F. - SAIS DE ÁCIDOS

Os sais dos ácidos carboxílicos são compostos obtidos pela substituição do hidrogênio do grupo carboxílico (-COOH) de um ácido por um cátion inorgânico, por exemplo, sódio, potássio, amônio. Podem ser representados pela fórmula: (R.CO.OM) onde R é um radical alquílico, arílico ou alquilarílico e M um cátion inorgânico metálico ou outro.

G. - DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS DE ÁCIDOS

Os derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados dos compostos descritos nas partes A a F, acima, são compostos nos quais os grupos funcionais contendo oxigênio ficaram intactos, enquanto que, ao contrário, um ou vários hidrogênios dos radicais R ou R1 contidos no ácido foram substituídos, respectivamente, por halogênios, por grupos sulfonados (-SO3H), nitrados (-NO2) ou nitrosados (-NO), ou por qualquer combinação destes halogênios ou grupos.

Esta posição inclui os ácidos monocarboxílicos acíclicos saturados e seus anidridos, halogenetos, peróxidos e perácidos, ésteres e sais, bem como os derivados (incluídos os derivados mistos) halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados destes produtos.

I) Ácido fórmico (H.COOH) e seus sais e ésteres.

a) O ácido fórmico encontra-se na natureza ou obtém-se sinteticamente. É um líquido móvel, incolor, exalando leves vapores, quando exposto ao ar, de cheiro picante, cáustico. Emprega-se em tingimento e curtimenta, para coagular látex, como anti - séptico em medicina, em síntese orgânica, etc.

b) Os principais sais do ácido fórmico são:

1) O formiato de sódio (H.COO.Na). Pó branco, cristalino, deliqüescente, que tem aplicações farmacêuticas, em curtimenta e em síntese orgânica.

2) O formiato de cálcio ((H.COO)2Ca). Apresenta-se em cristais.

3) O formiato de alumínio ((H.COO)3Al). Pó branco, utilizado na indústria têxtil, como mordente e impermeabilizante. Há também um formiato básico, que se apresenta quase sempre em solução aquosa.

4) O formiato de níquel ((H.COO)2Ni). Utilizado como catalisador na hidrogenação de óleos.

c) Os principais ésteres do ácido fórmico são:

1) O formiato de metila (H.COO.CH3). Líquido incolor, de cheiro agradável.

2) O formiato de etila (H.COO.C2H5). Líquido incolor, móvel, volátil, inflamável, com cheiro de rum.

3) Os formiatos de benzila, bornila, citronelila, geranila, isobornila, linalila, mentila, feniletila, rodinila, terpenila. Utilizados principalmente em perfumaria.

II) Ácido acético (CH3.COOH) e seus sais e ésteres.

a) O ácido acético é o produto da destilação a seco da madeira, que também se obtém por síntese. É um líquido fortemente ácido, com cheiro característico e penetrante de vinagre; é cáustico. A frio, solidifica-se em cristais incolores (ácido acético glacial). É um solvente do fósforo, do enxofre e de grande número de substâncias orgânicas.

O ácido acético comercial é de cor levemente amarelada, tendo muitas vezes um cheiro ligeiramente empireumático. Emprega-se na indústria têxtil, em curtimenta, como coagulante do látex, na fabricação de acetatos, plásticos, produtos farmacêuticos, etc.

b) Os principais sais do ácido acético são:

1) O acetato de sódio (CH3.COO.Na). Apresenta-se em cristais incolores e inodores, ou anidro, em pó branco ou levemente amarelado. Emprega-se como mordente e em numerosas preparações químicas.

2) O acetato de cobalto ((CH3.COO)2Co). Apresenta-se em cristais deliqüescentes, vermelho - violeta, com cheiro de ácido acético.

3) O acetato de cálcio ((CH3.COO)2Ca). Puro, apresenta-se em cristais incolores.

4) O acetato básico de cobre (CH3.COO.Cu.OH). Apresenta-se em agulhas ou pequenas escamas cristalinas, azuis, que, quando expostas ao ar, desagregam-se e tornam-se esverdeadas.

5) O acetato neutro de cobre. ((CH3.COO)2Cu). Pó ou pequenos cristais azul - esverdeados; desagregam-se, quando expostos ao ar, transformando-se em pó esbranquiçado.

6) O acetato de chumbo. Pode ser neutro ((CH3.COO)2Pb) ou básico, por exemplo, (Pb(CH3COO)2.3PbO.H2O)). O acetato neutro apresenta-se em cristais incolores ou levemente amarelos ou azulados. É tóxico. O acetato básico é um pó branco, denso, empregado em farmácia. Também se emprega como reagente em análises químicas.

7) Acetatos de lítio e de potássio (utilizados em medicina), de cromo, de alumínio, de ferro (utilizados como mordentes).

c) Os principais ésteres do ácido acético são:

1) O acetato de metila (CH3.COO.CH3). Encontra-se entre os produtos da destilação a seco da madeira. É um líquido com cheiro de fruta, que se emprega para preparar essências artificiais de frutas e como solvente de gorduras, resinas, nitrocelulose, etc.

2) O acetato de etila (CH3.COO.C2H5). É um líquido incolor, muito móvel, muito inflamável e com cheiro agradável de frutas. Como impureza, pode conter álcool etílico. Emprega-se, principalmente, como solvente de nitrocelulose, vernizes, etc. Também se emprega em medicina, como antiespasmódico e analgésico.

3) O acetato de vinila (CH3.COO.CH=CH2). Líquido incolor, de cheiro característico. Monômero, serve para preparar o poli(acetato de vinila), que é um polímero classificado na posição 39.05.

4) Os acetatos de n - propila e de isopropila, empregam-se na preparação de essências artificiais de frutas.

5) O acetato de n - butila. Líquido incolor, utilizado para preparar essências artificiais de frutas e como solvente.

6) O acetato de isobutila. Líquido incolor, utilizado para preparar essências artificiais de frutas e como solvente.

7) Os acetatos de n - pentila (n - amila) e de isopentila (iso - amila). Empregam-se para preparar essências artificiais de frutas.

8) O acetato de 2 - etoxietila.

9) Os acetatos de benzila, terpenila, linalila, geranila, citronelila, anisila, paracresila, cinamila, feniletila, bornila e isobornila (utilizados em perfumaria).

10) Os acetatos de glicerol (mono - , di - , triacetina).

Também se inclui aqui o anidrido acético ((CH3.CO)2.O). Líquido incolor, com cheiro forte e irritante, cáustico. Emprega-se em sínteses químicas.

III) Ácidos mono - , di - ou tricloroacéticos, seus sais e seus ésteres.

a) O ácido monocloroacético (Cl.CH2.COOH), em cristais incolores.

b) O ácido dicloroacético (Cl2.CH.COOH). Líquido incolor.

c) O ácido tricloroacético (Cl3C.COOH), em cristais incolores. Este produto, de cheiro penetrante, emprega-se em síntese orgânica e em medicina.

IV) Ácido propiônico (CH3.CH2.COOH), seus sais e seus ésteres. O ácido propiônico é um líquido com cheiro semelhante ao do ácido acético.

V) Ácidos butanóicos, seus sais e seus ésteres.

a) Ácido butírico (ácido butanóico) é um líquido denso, com cheiro desagradável de ranço, incolor, oleoso, empregado especialmente na descalagem de peles.

b) Ácido isobutírico (ácido 2 - metilpropanóico).

VI) Ácidos pentanóicos, seus sais e seus ésteres.

a) Ácido valérico (ácido pentanóico) é um líquido oleoso, incolor, transparente, com cheiro de ranço desagradável.

b) Ácido isovalérico (ácido 3 - metilbutanóico).

c) Ácido piválico (ácido 2,2 - dimetilpropanóico).

d) Ácido 2 - metilbutanóico.

VII) Ácido palmítico (CH3.(CH2)14.COOH)), seus sais e seus ésteres.

a) O ácido palmítico encontra-se nos corpos graxos (gordos*) como glicerídeo. Apresenta-se em massas cristalinas, ou em pó branco, ou ainda em cristais brilhantes na forma de agulhas incolores.

b) Seus principais sais são:

1) O palmitato de cálcio, empregado em perfumaria.

2) O palmitato de alumínio, empregado como impermeabilizante de têxteis ou como espessante de óleos lubrificantes.

Os sais do ácido palmítico solúveis em água (palmitatos de sódio, de potássio, de amônio, etc.) são sabões, mas permanecem aqui incluídos.

VIII) Ácido esteárico (CH3.(CH2)16.COOH), seus sais e seus ésteres.

a) O ácido esteárico, Encontra-se como glicerídeo nas gorduras. É branco, amorfo, semelhante à cera.

b) Seus principais sais são:

1) O estearato de cálcio, empregado para impermeabilizar têxteis.

2) O estearato de magnésio, empregado na fabricação de vernizes.

3) O estearato de zinco, utilizado em medicina e nas indústrias da borracha e dos plásticos e, ainda, na preparação de oleados.

4) O estearato de alumínio, que tem aplicações semelhantes às do palmitato de alumínio.

5) O estearato de cobre, empregado na bronzagem do gesso e em tintas navais.

6) O estearato de chumbo, empregado como sicativo.

Os sais do ácido esteárico (estearatos de sódio, de potássio, de amônio, etc.), solúveis em água, são sabões, mas permanecem aqui incluídos.

c) Entre os ésteres do ácido esteárico citam-se: os estearatos de etila e de butila, usados como plastificantes, e o estearato de glicol, utilizado como sucedâneo das ceras naturais.

IX) Incluem-se igualmente nesta posição:

a) O cloroformiato de etila, também chamado clorocarbonato de etila, líquido incolor, de cheiro sufocante, lacrimogêneo, inflamável, utilizado em síntese orgânica.

b) O cloreto de acetila (CH3.CO.Cl). Líquido incolor, com cheiro forte; quando exposto ao ar libera vapores que irritam os olhos.

c) O brometo de acetila (CH3.CO.Br). Possui as mesmas características que o cloreto. Emprega-se em síntese orgânica.

d) Os ácidos mono - , di - e tribromoacéticos, seus sais e seus ésteres.

e) O ácido hexanóico (capróico), bem como o ácido 2 - etilbutírico, seus sais e seus ésteres.

f) O ácido octanóico (caprílico), bem como o ácido 2 - etilexanoico, seus sais e seus ésteres.

Esta posição não compreende:

a) As soluções aquosas consumíveis de ácido acético contendo, em peso, 10% ou menos deste ácido (posição 22.09).

b) Os sais e os ésteres do ácido esteárico em bruto (posições 34.01, 34.04 ou 38.24, geralmente).

c) As misturas de mono - , di - e tri - estearatos de glicerol, emulsionantes de corpos graxos (gordos*) (posição 34.04 quando elas tiverem características de ceras artificiais, ou posição 38.24 nos outros casos).

d) Os ácidos graxos (gordos*) de pureza inferior a 90% (calculada em referência ao peso do produto seco) (posição 38.23).

Esta posição inclui os ácidos monocarboxílicos acíclicos não saturados e os ácidos monocarboxílicos cíclicos, e seus anidridos, halogenetos, peróxidos, perácidos, ésteres e sais, bem como os derivados (incluídos os derivados mistos) halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados destes produtos.

A. - ÁCIDOS MONOCARBOXÍLICOS ACÍCLICOS NÃO SATURADOS, SEUS SAIS, ÉSTERES E OUTROS DERIVADOS

1) Ácido acrílico (CH2=CH.COOH). Líquido incolor de cheiro acre e que se polimeriza facilmente. Constitui um monômero para os ácidos poliacrílicos e outros polímeros acrílicos.

2) Ácido metacrílico. Os polímeros dos ésteres deste ácido são plásticos (Capítulo 39).

3) Ácido oléico (C18H34O2). Encontra-se nos corpos graxos (gordos*) como glicerídeo. É um líquido incolor, inodoro que cristaliza-se em agulhas aproximadamente à temperatura de 4°C.

Os sais do ácido oléico (oleatos de sódio, de potássio, de amônio. etc.) solúveis em água, são sabões, mas permanecem aqui incluídos.

4) Ácido linoléico (C18H32O2). Encontra-se como glicerídeo no óleo de linhaça. É um ácido sicativo.

5) Ácido linolênico (C18H30O2).

6) Ácidos heptinóicos e octinóicos.

B. - ÁCIDOS MONOCARBOXÍLICOS CICLÂNICOS, CICLÊNICOS OU CICLO - TERPÊNICOS, SEUS SAIS, ÉSTERES E OUTROS DERIVADOS

1) Ácido ciclohexanocarboxílico.

2) Ácido ciclopentenilacético.

C. - ÁCIDOS MONOCARBOXÍLICOS AROMÁTICOS SATURADOS, SEUS SAIS, ÉSTERES E OUTROS DERIVADOS

1) Ácido benzóico (C6H5.COOH). Encontra-se em algumas resinas e bálsamos. Prepara-se por síntese. Cristaliza-se em agulhas ou escamas brancas e brilhantes e, quando puro, é inodoro. Tem ação anti - séptica e antipútrida.

Seus principais sais são: os benzoatos de amônio, de sódio, de potássio e de cálcio.

Seus principais ésteres são: os benzoatos de benzila, de naftila, de metila, de etila, de geranila, de citronelila, de linalila, de rodinila.

Entre outros derivados do ácido benzóico, aqui incluídos, citam-se:

a) O peróxido de benzoíla. Apresenta-se no estado sólido, em grânulos brancos cristalizados. Utilizado em medicina e também nas indústrias da borracha e dos plásticos, no branqueamento de óleos, gorduras, farinhas, etc.

b) O cloreto de benzoíla (C6H5.CO.Cl). Líquido incolor de cheiro característico, que libera vapores quando exposto ao ar e é fortemente lacrimogêneo.

c) Os ácidos nitrobenzóicos (o - , m - , p - ) (NO2.C6H4.COOH).

d) Os cloretos de nitrobenzoíla (o - , m - , p - nitrobenzoíla) (NO2.C6H4.CO.Cl).

e) Os ácidos monoclorobenzóicos (Cl.C6H4.COOH).

f) Os ácidos diclorobenzóicos (Cl2.C6H3.COOH).

2) Ácido fenilacético (C6H5CH2.COOH). Cristais brancos e brilhantes sob a forma de plaquetas que exalam odor floral. Utilizado na fabricação de perfumes, agentes aromatizantes, penicilina G, bem como na de fungicidas, em síntese orgânica e como precursor na fabricação de anfetaminas (ver a lista dos precursores que se encontra no fim do Capítulo 29).

Seus principais ésteres são os fenilacetatos de etila, metila e de o - metoxifenil (fenilacetato de guaiacol).

3) Ácido fenilpropiônico, naftóico.

D. - Ácidos monocarboxílicos aromáticos não saturados, seus sais, ésteres e outros derivados

Ácido cinâmico (C6H5CH=CH.COOH). Encontra-se na essência de canela e nos bálsamos de Tolu e do Peru. Cristais incolores.

Os seus principais sais são os cinamatos de sódio e de potássio.

Os seus principais ésteres são os cinamatos de metila, de etila, de benzila e de propila, empregados em perfumaria.

Esta posição não compreende o ácido oléico de pureza inferior a 85% (calculada em referência ao peso do produto seco) e os outros ácidos graxos (gordos*) de pureza inferior a 90% (calculada em referência ao peso do produto seco) (posição 38.23).

Esta posição inclui os ácidos policarboxílicos e seus anidridos, halogenetos, peróxidos, perácidos, ésteres e sais, bem como os derivados (incluídos os derivados compostos) halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados destes produtos.

A. - ÁCIDOS POLICARBOXÍLICOS ACÍCLICOS E SEUS ÉSTERES, SAIS E OUTROS DERIVADOS

1) Ácido oxálico (COOH.COOH). Apresenta-se em finos cristais incolores, transparentes, inodoros. É tóxico e emprega-se como agente de branqueamento nas indústrias têxtil e de peles, como mordente na estamparia têxtil e em síntese orgânica.

Seus principais sais são os oxalatos de amônio, de sódio, de potássio, de cálcio, de ferro e os oxalatos ferri - amoniacais.

Seus principais ésteres são os oxalatos de etila e o oxalato de metila.

2) Ácido adípico (COOH.(CH2)4.COOH). Cristaliza-se em agulhas incolores e emprega-se, por exemplo, na fabricação de alguns plásticos, tais como as poliamidas.

3) Ácido azelaico. Pó cristalino de cor branca a amarelada. Utiliza-se, por exemplo, na fabricação de alguns plásticos (resinas alquídicas, poliamidas, poliuretanos) e em outras sínteses orgânicas.

4) Ácido sebácico. Apresenta-se em pequenas folhas brancas. Utiliza-se, por exemplo, como agente de estabilização nos plásticos (resinas alquídicas, poliésteres maléicos e outros poliésteres, poliuretanos) ou na fabricação de plásticos.

5) Anidrido maléico. Massa cristalina incolor, emprega-se na preparação de plásticos (poliésteres) e em outras sínteses orgânicas.

6) Ácido maléico (COOH.CH=CH.COOH). Apresenta-se em grandes cristais incolores ou em blocos moldados. Emprega-se, por exemplo, na preparação de certos plásticos (por exemplo, poliésteres).

7) Ácido malônico (COOH.CH2.COOH). Apresenta-se cristalizado em grandes lamelas incolores.

Entre os ésteres mais importantes podem citar-se o malonato de etila, que é o produto base de numerosas sínteses orgânicas, de medicamentos barbitúricos, etc.

8) Ácido succínico (COOH.(CH2)2.COOH) Apresenta-se em cristais incolores, inodoros, transparentes. Emprega-se em síntese orgânica.

B. - ÁCIDOS POLICARBOXÍLICOS CICLÂNICOS, CICLÊNICOS OU CICLOTERPÊNICOS E SEUS ÉSTERES, SAIS E OUTROS DERIVADOS

C. - ÁCIDOS POLICARBOXÍLICOS AROMÁTICOS E SEUS ÉSTERES, SAIS E OUTROS DERIVADOS

1) Anidrido ftálico (C6H4.CO.CO.O). Cristaliza-se em agulhas brancas translúcidas, em massas cristalinas ou em escamas brancas, muito leves e volumosas, de cheiro característico. Emprega-se em síntese orgânica (na preparação de plásticos (resinas alquídicas), de plastificantes, etc.).

2) Ácidos benzenodicarboxílicos (o - , m - (iso - ), p - ) (C6H4(COOH)2). Ácido ortobenzenodicarboxílico, geralmente chamado ácido ftálico (ácido ortoftálico). Os ácidos metabenzenodicarboxílico e parabenzenodicarboxílico são habitualmente denominados, respectivamente, ácido isoftálico e ácido tereftálico. Apresentam-se em formas de cristais e utilizam-se na preparação de matérias corantes sintéticas, de plásticos (resinas alquídicas) e de plastificantes.

Entre os seus ésteres, citam-se os ortoftalatos de dimetila, de dietila, de dibutila (di - n - butila, diisobutila, etc.), de dioctila, (di - n - octila, diisooctila, bis(2 - etilexil), etc.), de dinonila (di - n - nonila, diisononila, etc.), de didecila (di - n - decila, etc.) ou de dicicloexila e outros ésteres do ácido ortoftálico, por exemplo, os ftalatos dos ésteres de etilenoglicol bem como os ésteres de dimetila e outros ésteres do ácido tereftálico.

3) Ácidos dicloroftálicos e tetracloroftálicos e seus anidridos.

Esta posição inclui os ácidos carboxílicos contendo funções oxigenadas suplementares e seus anidridos, halogenetos, peróxidos e perácidos, ésteres e sais, bem como os derivados (incluídos os derivados mistos) halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados destes produtos.

Os ácidos contendo funções oxigenadas suplementares são compostos que contêm na sua molécula, além da função ácido, uma ou várias das funções oxigenadas referidas nos Subcapítulos antecedentes (funções álcool, éter, fenol, acetal, aldeído, cetona, etc.).

A. - ÁCIDOS CARBOXÍLICOS DE FUNÇÃO ÁLCOOL E SEUS ÉSTERES, SAIS E OUTROS DERIVADOS

São compostos que, na sua molécula, contêm, simultaneamente, a função álcool (-CH2OH, CHOH, COH) e a função ácido (COOH). Estas duas funções podem reagir conforme a sua própria natureza e é por isso que, como ál