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OPINIÃO - Cortina de miséria (Jornal da Câmara)


Data: 10/05/2000
10/05/2000 - OPINIÃO - Cortina de miséria (Jornal da Câmara)

Nestes últimos dias, vivemos, pasmados, diante de um impasse que pudesse nos levar a um acordo sobre a fixação do teto máximo e do salário mínimo que deverá vigorar no País. Opiniões diversas foram apresentadas, pelo governo, parlamentares - da oposição e da situação - estudiosos e sindicalistas , do DIEESE, CUT, CGT e Força Sindical e, ao menos num ponto, todos concordam: a disparidade entre um e outro é, simplesmente, aviltante. O salário mínimo brasileiro atenta contra a vida e a dignidade humana.

Este também é o pensamento da CNBB, que em artigo publicado na edição de abril do seu semanário L`Observatore, o jornal do Vaticano, asseverou: o que pensar de uma nação que empurra milhões de trabalhadores para a cortina da miséria? O que pensar de um salário que não cobre as necessidades básicas do povo? Enquanto isso, CUT, CGT e Força Sindical, as três maiores centrais sindicais do País e o próprio DIEESE apontam nosso salário como um dos menores do mundo, e querem, no mínimo, elevá-lo para os US$ 100, que o colocaria ao nível do Mercosul, salários pagos no Paraguai, Argentina e Uruguai.

Devemos ainda refletir sobre estes aspectos, sempre negativos, que nos angustia, todos os anos, quando se discute o salário mínimo. Se de um lado, o governo - que já instituiu o salário de R$ 151 -, chama os representantes do "topo da pirâmide" para negociar o teto máximo, porque não chamar os representantes da massa de assalariados, pensionistas e aposentados, para discutir o seu salário, e isso é, ao nosso ver, o mínimo que se poderia fazer: ouvir o clamor que vem das ruas.

Mas a sociedade organizada - e isso é o que nos anima - vem a este Congresso que, espero, vote hoje este assunto que interessa a milhões e milhões de brasileiros, para exigir os seus direitos. Em vigília desde a última segunda-feira, milhares de trabalhadores e aposentados estão em Brasília para exigir deste Congresso que seja votado o aumento para R$ 177. Mais que isso, querem a rejeição do salário regionalizado.

O nosso partido, o Partido dos Trabalhadores, que sob a liderança do deputado Paulo Paim (PT-RS), trava uma batalha incessante na luta pela valorização do salário mínimo, espera que seja cumprido o acordo de lideranças, para a votação da MP que estabelece o reajuste e quer acrescentar a pauta proposta pela CUT e outras sindicais: elevação do salário para R$ 177 (equivalente a US$ 100), já em maio de 2000, manutenção da abrangência nacional do salário e preservação do salário como piso para os benefícios da previdência, além da criação de uma comissão paritária, formada por trabalhadores, parlamentares e governo, para discussão nos próximos anos.

No momento em que debatemos o salário e que temos em mãos dados oferecidos pelos trabalhadores que comprovam a viabilidade dos US$ 100 e, no momento em que o próprio presidente diz ao povo, em discurso comemorativo dos 500 anos, que precisamos iniciar o caminho da inclusão social, nada mais oportuno que discutirmos - com honestidade - os destinos dos trabalhadores. É necessário que se acenda, nos homens do governo e do Parlamento, a "chama da sabedoria".

*Pedro Wilson é deputado federal pelo PT/GO


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