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Antônio Lopes de Sá 
Vice Presidente da Academia Nacional de Economia. Presidente da Associação Internacional de Contabilidade e Economia. Medalha de Ouro João Lyra máxima comenda outorgada a um Contador pelo Conselho Federal de Contabilidade. Autor de 176 livros e mais de 13.000 artigos publicados no Brasil e no Exterior.

Artigo - Federal - 2005/1146

Falsa Liquidez Financeira
Antônio Lopes de Sá*

Elaborado em 09/2005.

Em concorrências, para requerer financiamentos, para ensejar investimentos, existe quase sempre a exigência da prova de capacidade de pagamento da empresa.

A liquidez é algo importante para que exista concessão de crédito, para que exista confiança em um empreendimento.

Quando as empresas estão debilitadas financeiramente, podem surgir casos de maquiagem dos balanços no sentido de "aparentar" uma situação favorável.

O que pejorativamente se denominou de "Contabilidade Criativa" é exatamente o procedimento que visa a modificar a realidade para encobrir deficiências, especialmente as de liquidez e rentabilidade (dentre as diversas outras).

Os muitos escândalos internacionais difundidos pela imprensa mostram, há muitas décadas o efeito dessas manobras aéticas e criminosas.

Procura-se, inclusive, agora, através de lei, considerar como crime o falseamento de peças contábeis para vencer concorrências.

Se aprovado o projeto que se acha em curso, os empresários serão punidos na mesma condição dos prevaricadores e corruptos do poder público, envolvendo, segundo as disposições legais, também, o Contador, na qualidade de preposto.

Os critérios utilizados para ludibriar têm-se baseado em alterar os elementos que influem na obtenção dos indicadores de situações e no caso da financeira envolvem ativo e passivo circulante.

Como é o ativo circulante que pesa favoravelmente como meio de pagamento e como é o passivo circulante que reduz o aludido meio, o confronto entre tais elementos tem influência relevante.

Para apresentar, então, uma situação favorável a maquiagem pode ser produzida transferindo-se elementos do ativo fixo, por exemplo, máquinas, veículos, equipamentos, para o circulante como se houvesse a intenção de vendê-los e assim, desta forma, ampliando os valores do "realizável".

Dilatando, ainda, o recurso pode ocorrer uma reavaliação, antes que os bens do ativo fixo sejam transferidos para o ativo circulante e nesse caso ainda se reforça mais a suposta liquidez.

Assim, por exemplo, um veículo de valor de $200.000,00 passa a ser considerado como de $300.000,00 e em vez de ficar no Imobilizado, em uso, passa a figurar como um "bem para venda".

Nesse caso a empresa aumenta seu patrimônio Líquido com uma reserva de Reavaliação e também a Liquidez Financeira.

Tal falsidade só se comprova com uma perícia direta na empresa, pesquisando-se se os bens realmente estão a venda ou se continuam sendo utilizados.

Colabora, ainda, para mascarar a situação a falta de destaque no Passivo Circulante das parcelas do Exigível em Longo Prazo e que devem ser pagas no exercício.

Isso porque mesmo as dívidas que se pagam no correr de muitos anos vão sendo amortizadas a cada ano.

Essas não são as formas exclusivas de apresentar uma falsa liquidez, mas, algumas utilizadas.

Facilmente tais maquiagens podem ser constatadas através de verificações diretas, mas, podem bem iludir quando a análise de um balanço é feita apenas externamente ou à distância.

Muitas manobras existem para maquiar a liquidez e meu livro "Corrupção e Fraudes em Contabilidade", da Editora Juruá, feito em parceira com o Prof. Wilson Alberto Zappa Hoog, um dos mais renomados autores da área contábil, especialmente na de perícia, apresenta outros aspectos.

O importante, portanto, é que, ao analisar um balanço se esteja atento para as questões pertinentes à natureza dos elementos que compõe a estrutura demonstrada.

A falta de um plano Oficial de Contas em nosso País é, igualmente, responsável pela facilidade em produzir arranjos que podem levar a interpretação falaciosa.

Uma delas está na própria conta de Clientes pelo fato de não se exigir que os títulos de cobrança difícil, não pagos no vencimento, tenham destaque em conta especial (como em outros Países se obriga).

 
Antônio Lopes de Sá*

  Leia o curriculum do(a) autor(a): Antônio Lopes de Sá.



- Publicado em 11/11/2005



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