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Antônio Lopes de Sá 
Vice Presidente da Academia Nacional de Economia. Presidente da Associação Internacional de Contabilidade e Economia. Medalha de Ouro João Lyra máxima comenda outorgada a um Contador pelo Conselho Federal de Contabilidade. Autor de 176 livros e mais de 13.000 artigos publicados no Brasil e no Exterior.

Artigo - Federal/Contábil - 2005/1028

Linguagem dos Laudos e Neopatrimonialismo Contábil
Antônio Lopes de Sá*

A qualidade das palavras empregadas para uma exposição, o método que empregamos para expressar idéias, tem influência expressiva em tudo o que escrevemos.

Se produzirmos textos para sermos entendidos o objetivo deve ser a clareza, conduzindo a mente de nosso leitor a entender bem o que desejamos expressar.

Tal responsabilidade aumenta consideravelmente quando o objetivo é emitir uma opinião.

Muito interessa à Justiça o "parecer dos peritos", mas, questionada tem sido a forma de apresentar tal relato.

São naturais as indagações:

1) até que ponto a título de clareza se pode vulgarizar a exposição de matéria técnica e cientifica?

2) a linguagem do especialista deve descer àquela do julgador ou o entendimento deste deve subir até limite daquela contábil?

3) até que ponto os conceitos empregados são competentes para o pleno entendimento da prova que se busca produzir?

Nada se pode objetar quanto aos valores conceituais, nem de pertinente interpretação, no que tange ao emprego da liberdade e fidelidade de expressão, mas, sabemos que estas se sujeitam a cultura e ótica de cada pessoa.

Assim, importante, na linguagem comum, é o entendimento derivado da liberdade de expressão, não só como pensamento, mas, também quanto ao falado e escrito.

Que, todavia, em matéria científica e tecnológica se adote ou reconheça a mesma liberalidade, parece-me questionável.

Cada assunto deve ter sua base filosófica pertinente, de acordo com a finalidade que visa a alcançar.

Sobre tal adequação referida se pronunciaram, com propriedade, ilustres personalidades, como Einstein e Infeld (na obra, em co-autoria, "A evolução da Física", ao tratarem sobre as bases filosóficas na ascensão do conceito mecânico).

Se a ciência tem por finalidade o encontro com a verdade, só a expressão inequívoca, fiel à realidade, pode ser adotada como conceito.

A participação de leigos em matéria conceitual científica é um risco, podendo gerar uma "torre de Babel", quando a questão é a do domínio de uma especialização do conhecimento, seja esta qual for.

Os termos, as formas de raciocinar, variam de acordo com os graus do saber.

Médicos, advogados, engenheiros, contadores, economistas, administradores, dentre outros especialistas, procuram ser zelosos em adotar os termos das ciências que abraçam e que lhes garante o exercício eficaz da profissão.

Isso constrói a dignidade de uma comunidade profissional na preservação e evolução de um conhecimento que tem como objetivo a prestação de serviço.

É inequívoca, pois, a possibilidade de conflito entre a convenção que a ciência adota e a necessidade de entendimento de quem vai usar a informação.

Na longa prática, de muitas décadas, no exercício constante das perícias, optei por não abandonar o que minha disciplina acolhe como linguagem, mas, sempre atento, também fiquei à necessidade de conciliar tal posição com aquela daquele que precisa entender o que escrevo como opinião.

Uso, pois, a terminologia contábil, administrativa e econômica, mas, de forma didática, procuro explicar o que escrevo.

Tenho feito uma ponte entre o respeito à dignidade das ciências que professo, sem vulgarizá-las, e a necessidade de entendimento do julgador.

Se, no mínimo, três são os peritos (do Juízo, do Autor e da Ré), entre estes deve haver ética, esta exigindo um respeitoso linguajar de especialista, mas, também comprometido com a clareza, visando atender a quem não é especialista (no caso, no mínimo três: o Juiz e os advogados das partes).

Tal critério pode parecer paradoxal, mas, é o que atende às duas faces que os Laudos e Pareceres devem ter: a da especialidade do perito contábil e a dos envolvidos em matéria de direito.

Como a linguagem varia de acordo com a natureza dos conceitos, como a razão depende da linguagem para ditar a posição das consciências, cada aspecto deve ser preservado e observado, para que exista eficácia na elaboração dos trabalhos periciais.

Em assim procedendo consegue-se duplicar a utilidade de uma peça técnica que realmente pretende alcançar a plena eficácia que deve ter uma opinião.

É importante, entretanto, se ter em mente que uma base filosófica deve ser escolhida para orientar o método expositivo.

Ou seja, a apresentação da idéia precisa de um curso seguro que lhe permita uma coerente oferta de razões para a formação de conceitos.

O mais moderno e científico método, fundamentado em relações lógicas, no campo contábil, é sem dúvida, o oferecido pelo Neopatrimonialismo.

Sob a ótica de tal doutrina é possível abrir a mente de quem busca o entendimento, ensejando pleno raciocínio em matéria ligada à riqueza das empresas e entidades.

Tal exuberância de bases filosóficas não só sustenta opiniões, mas, também, se aninha nas mentes lógicas dos que necessitam entender as exposições, para acomoda-las aos conceitos que possuem.

A ótica jurídica não é a contábil, mas, ambas se conciliam quando amalgamadas pela lógica expositiva, capaz de promover entendimentos.

Cada ciência tem seu aspecto de observação, sendo isto o que as distingue, mas, seja ela qual for, a verdade se apresenta sempre com a mesma face.

Só o cientifico pode amalgamar entendimentos e é isto o que igualmente afirmam Infeld e Einstein, na obra à qual nos referimos, ao tratarem do que se deve derivar da pesquisa (e a perícia se alimenta disto).

O método científico precisa ser o guia na exposição da verdade e este precisa de qualidade, esta que o neopatrimonialismo oferece na atualidade.

A referida doutrina, apresentando uma filosofia do fenômeno patrimonial, oferece meios seguros para interpretações, não só ao alcance de um especialista em Contabilidade, mas, também de qualquer outro ramo do conhecimento humano.

Quando iniciei as exposições da referida doutrina, apresentando a minha teoria das Funções Sistemáticas, ressalvado os naturais casos dos especialistas em doutrina contábil, os que, não sendo contadores, mais rapidamente a assimilaram, foram os Matemáticos, Físicos e diplomados em Filosofia.

Para mim não se tratou de uma surpresa, pois, as bases que tais profissionais possuem como raciocínio fundamental são as da lógica aplicada à ciência (Epistemologia).

Partindo do:

1) estudo da análise das relações que fundamentam a ocorrência dos fatos patrimoniais,

2) da consideração básica sobre a dinâmica do movimento da riqueza como axioma,

3) das causas motoras da riqueza patrimonial;

4) da organização sistemática como base estrutural do funcionamento da riqueza das empresas e instituições,

5) da elaboração de proposições lógicas sobre a questão,

6) de teorias específicas sobre a eficácia, como satisfação da necessidade,

7) da interação dos sistemas e da prosperidade como a Constancia da eficácia,

8) de modelos qualitativos de comportamento do patrimônio,

o Neopatrimonialismo ensejou a mudança da face do entendimento contábil e abriu portas a produção de um vigoroso método analítico de condução do pensamento contábil.

A opinião, pois, sobre um fato pesquisado por perícia, submetida a tal ótica, tem condição de conduzir o pensamento de quem a lê a uma linha rigorosamente lógica, competente para deduções verdadeiras.

Isto o que na prática tenho demonstrado com os meus trabalhos e tem tratado o neopatrimonialista professor e perito Marco Antônio Amaral Pires, em várias de suas publicações.

Importante, pois, é associar a propriedade da linguagem dos laudos e pareceres àquela do entendimento destes, usando, para tanto, metodologia de qualidade.

 
Antônio Lopes de Sá*

  Leia o curriculum do(a) autor(a): Antônio Lopes de Sá.



- Publicado em 06/06/2005



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