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Antônio Lopes de Sá 
Vice Presidente da Academia Nacional de Economia. Presidente da Associação Internacional de Contabilidade e Economia. Medalha de Ouro João Lyra máxima comenda outorgada a um Contador pelo Conselho Federal de Contabilidade. Autor de 176 livros e mais de 13.000 artigos publicados no Brasil e no Exterior.

Artigo - Federal - 2005/0909

Momentos de Decisões sobre as Informações Empresariais
Antônio Lopes de Sá*

Assim como uma fotografia espelha a imagem de uma pessoa, deve o balanço de uma empresa evidenciar a situação da riqueza da mesma.

Conhecer o que se dispõe para manter um empreendimento é uma necessidade tão grande quanto à de realizar exames de saúde para ver como se está comportando um organismo.

A linguagem, todavia, das demonstrações da riqueza, da evolução da mesma, dos resultados que consegue, não tem sido uniforme.

Enquanto os balanços servem apenas ao ambiente interno de um negócio, o empresário pode, com o seu Contador, alcançar a tudo o que se demonstra, mas, quando as informações precisam ser feitas para serem utilizadas por terceiros, especialmente em âmbito popular, a questão muito muda de figura.

O que muitas vezes é compreensível e até fácil de entender para certos povos, pode não o ser para outros.

Por isto, tem ocorrido que balanços de uma mesma em,presa, de uma mesma data, podem apresentar lucros nos Estados Unidos e prejuízos na Alemanha.

Os procedimentos para apurar resultados, para mensurar riquezas, não têm sido uniformes.

Como as parcelas dos capitais podem estar pulverizadas, distribuídas em número expressivo de pessoas, os entendimentos contábeis sobre como se comportam os valores são de extrema importância social.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as Bolsas de Valores são muito fortes e o sistema lá existente permite que todo o povo participe da movimentação dos capitais.

Assim, pois, naquele País, um barbeiro, um açougueiro, um motorista de ônibus, um militar, um contador, seja que função tenha uma pessoa, ela aplica economias em ações de empresas, com habitualidade.

Muitos indivíduos jogam suas poupanças em títulos, esperando, com os rendimentos destes, garantirem seus orçamentos domésticos.

Há todo um sistema econômico que facilita a circulação de dinheiro para a produção e essa é uma das razões da força de produção estadunidense (embora não seja esta a exclusiva).

Na França, entretanto, já não existe tão forte costume e a própria história daquele evoluído País justifica a desconfiança do povo em tal critério de formar renda, pois, várias vezes, desde as épocas dos Luíses, muitas situações fraudulentas e traumatizantes ocorreram.

Ocorre, entretanto, que, com o advento da informática, tornou-se fácil aplicar capitais em qualquer parte, com um simples movimentar de teclas.

O mundo ficou pequeno para o campo da comunicação e os informes passaram a ser extremamente valorizados.

Portanto, estamos vivendo uma era diferente, onde é necessário, também, maior capacidade de entendimento.

Essa, a razão de se estar buscando uma harmonização nos demonstrativos contábeis de modo a fazer com que estes sejam entendidos da mesma forma em todas as partes, mas, especialmente, para isto, seguindo a normas uniformes para apresentar e construir a informação.

O movimento normativo, todavia, ainda não conseguiu seu total intento, embora tentativas válidas estejam sendo conduzidas.

As falhas, tais como se manifestam, estão mais no campo da índole dos normatizadores que dos recursos reais da Contabilidade em ensejar tal evento.

Os americanos do norte tentam, todavia, de forma direta e indireta, impor seus modelos; de outro lado os europeus entendem que as normas estadunidenses falharam, como ficou evidenciado nos escândalos nacionais das empresas ENRON, XEROX, QWEST, MERCK e tantas outras.

Na realidade existem razões fortes que nos mostram que a normatização seguiu mais aos interesses especulativos de grupos que mesmo à ciência contábil.

Faltou metodologia adequada, responsabilidade social e conhecimento científico por parte dos elaboradores.

O Brasil enfrenta, agora, a questão de adaptar-se a normas internacionais para somar-se a um esforço de harmonização.

Esperamos, apenas, que os resultados sejam positivos e que não se encampem falhas apenas por submissão a um propósito de apenas padronizar.

Os modelos de inspiração pragmática apenas já mostraram a sua face de penumbra nos Estados Unidos.

Esperamos que aqui esse mal não se implante a ponto de realmente se defender normas contábeis similares, sem base científica, sob a falsa alegação de que não se tornaria nosso País atrativo para os investidores se tais padrões não fossem seguidos.

 
Antônio Lopes de Sá*

  Leia o curriculum do(a) autor(a): Antônio Lopes de Sá.



- Publicado em 14/01/2005



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