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Antônio Lopes de Sá 
Vice Presidente da Academia Nacional de Economia. Presidente da Associação Internacional de Contabilidade e Economia. Medalha de Ouro João Lyra máxima comenda outorgada a um Contador pelo Conselho Federal de Contabilidade. Autor de 176 livros e mais de 13.000 artigos publicados no Brasil e no Exterior.

Artigo - Federal - 2002/0070

Reconhecimento dos valores intelectuais que atuam sobre o capital
Antônio Lopes de Sá

Certamente levará ainda algum tempo para que as informações contábeis se adaptem a uma nova realidade.
Não é fácil romper a barreira da tradição.

A vocação de acomodação só se vence com o rompimento das causas da resistência ao novo, mas, isto, demanda algum prazo.

Assim, por exemplo, embora esteja consagrado o reconhecimento do valor intelectual que age sobre um capital, as Normas Internacionais de Contabilidade não admitem o registro de tais valores (IAS 38).

A calcificada forma de só observar as coisas do ponto de vista "legal" e "financeiro" impede que fatos da maior relevância estejam evidentes.

Nem tudo o que é legal, nem tudo o que é financeiro é, por natureza, eficaz.

Está faltando, pois, a supremacia da visão eficaz sobre as demais.

É uma questão de metodologia.

Sabemos, todos, que um mesmo valor de capital, em um mesmo ramo de negócios, em uma mesma localidade e em um mesmo tempo pode produzir diferentes resultados se acionado por "Inteligências e Culturas" diferentes.

Não permitir o reconhecimento desta ação distinta é alhear-se à realidade das coisas.

É axiomático que o capital não se move por si mesmo.

O futuro, naturalmente, haverá de comprovar a necessidade de se apresentar distintamente o movimento financeiro daqueles demais existentes, tais como os Intelectuais, Mercadológicos, Ecológicos, Políticos, Científicos, Tecnológicos, Éticos, Sociais etc.

A Contabilidade está evoluindo prática e doutrinariamente para os estudos das ações dos entornos ou continentes da riqueza.

As forças humanas, dos mercados, da natureza, sociais etc. possuem decisiva atuação sobre o patrimônio.

As variáveis que movem tais influências se refletem sobre as transformações da riqueza.

Os estudos da maior corrente científica contábil, da atualidade, no Brasil, o Neopatrimonialismo, têm desenvolvido matéria relevante sobre as relações ambientais ou dos entornos da riqueza das empresas e instituições.

Com o variar dos aspectos sob os quais uma coisa é observada também se alteram as metodologias a serem aplicadas.

É óbvio, pois, que ao estudar-se a influência externa que modifica a riqueza é preciso de formas e considerações essenciais compatíveis e pertinentes à questão.

Uma coisa é computar-se como gasto o que se aplica em treinamento de pessoal para ter vantagens fiscais de dedução e de apuração de lucro a ser atribuído a associados e outra é observar tal fato como um "investimento" em força de trabalho.

Cada aspecto tem as suas razões e independência de ótica.

A demissão de um empregado tem custos financeiros, mas, pode ter maiores custos como redução da eficácia operacional, conforme a função que desempenhava e a experiência que havia acumulado.

A perda de um diretor pode ocasionar sérios danos no processo lucrativo se ele era responsável por grande parte dos negócios e tal fato se prendia a razões subjetivas ligadas à atuação do dirigente.

Tudo isto é mensurável e vem sendo objeto de estudos deveras sérios.

Tem absoluta razão Seabra Franco ao afirmar que "Empresas com os mesmos ativos físicos não têm o mesmo valor, porque a criação de valor depende do capital intelectual" (Victor Domingos Seabra Franco - O capital intelectual - contributo para a sua contabilização, em Revisores e Empresas, edição OROC, Lisboa, janeiro/março de 2001).

A vocação da Contabilidade, nos tempos atuais, é a de direcionar-se para o holístico, especialmente considerando que, como leciona o Neopatrimonialismo, não basta apenas considerar "o que aconteceu" (posição histórica) nem "o que está por acontecer" (orçamentos e fluxos), sendo imprescindível, também se ter em conta "o que faz acontecer" (forças dos entornos da riqueza que sobre esta atuam).

 
Antônio Lopes de Sá*
Presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis.
www.lopesdesa.com
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- Publicado em 16/01/2002



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